Lembro nossas conversas de cama e concluo que nossas doses de desejo e memórias são as mesmas. São os mesmos nossos ontens, e as sensações que colhemos deles.
Você, aí, é de passar mãos largas nas minhas costas e se agigantar em todo abraço. É de sair para acompanhar, de mandar. Volta e meia, o barulho único que posso ouvir, com meus cinquenta por cento, são as sementes de maçã se partindo no seu jeito violento de mastigar. Quando você mastiga: num quase nunca.
Eu, cá, sou de aconchegos felinos e olhares que te gritam, cotidiana e repetidamente, o que escolher ("por que não eu?"). Sou de rir de tudo, de obedecer. Meia e volta, o único barulho que você pode ouvir, com seus cem por cento, são minhas sandálias que se arrastam. Quando não levanto os pés: num quase sempre.
Pernas bambas de enumerar porquês (de ser você), destaco apenas o seu cheiro de felicidade - só isso, e isso é tudo, o sentido de, na vida, uma totalidade-. Desconsidere meus vícios de você e pense o peso, as bocas, os anos, o conforto, o vaso marrom, as listras, a cama, as brigas pelas quais vale a pena viver: eu sempre deixo meus sapatos espalhados pela casa, e a maldita toalha molhada insiste em se lançar das minhas mãos na cama.
Nivelemos os planos e, se tudo der certo, você nunca esquecerá o coentro,ou meu intelecto de caramujo que, quando não pela lentidão, pelo excesso de cores.
Foi com meus olhos que te deixei me chamar - "por que você me olha assim?" - e, das promessas que me restam fazer, eu, meus sapatos espalhados, minhas toalhas voadoras em água, meu macarrão e meus melhores olhares entramos na sua vida para nunca mais sair.
Amor, já temos, ao menos, as taças!
Zuri.
Ao meu objeto de desejo,trinta e uma semanas depois:
não há racionalidade que possa extraviar uma carta de amor.