Leio gentes que dizem o que me sobra. Eu, cá, nem
saberia verbalizar os terços desses tudos, mas meu objeto de desejo tem das línguas
a mais afiada em mandar calar; dos dedos, os mais dedilhantes; dos cílios, os mais
longos; das bocas, a mais desejável; dos violões de náilon, o mais acústico; dos trejeitos, os mais desengonçados; das
pernas, as mais andantes; dos cheiros, o mais dó sustenido menor; dos olhares,
o mais insonoramente revelador; e das presenças, a que mais acalma.
Meu objeto de desejo me acompanha, ainda que desacompanhe, me
sorri e me faz feliz.
Para tantos incuidados desinclinados nas ruas, é apenas um
aposto, para esta que sente e re-sente, se revela a cada dia mais fora, num externo aos fantasmas.
Não dentro, não consumindo, corroendo ou acabando com o que
quer que seja a paz, como tantos destinos de passagem, mas ao lado, aos braços,
aos pés, às barrigas, aos peitos e aos nossos pâncreas.
Meu corpo inteiro se amarela de um roxeado novo, se expõe ao
sol das tardes pela sua mera vontade.
Eu já não sei dizer não, já não saberia negar-lhe
as luas, os anéis de Júpiter – seu planeta predileto –, os maiores campos de morango, ou todos os calores que
minhas trinta almas puderem dar.
Meu objeto de desejo tem minhas paixões, meus segredos, a mim e a tudo que eu puder amar.
[...]
Zuri.
Carta ao meio.
29 de outubro de 2013
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