"Eu deveria escolher. Gente, escolher o quê? Eu estava sentindo o amor, o amor que só ouvia falar".
Loo.
Ais.
Tudo que existe de nós.
Outrora, em suor ou nas águas de você, nossos ais eram
outros. Outra cor. Outro riso. Outra voz: ai de molhar. Chuva.
Uma voz que hoje é minha carência.
Ausência da tua boca prosaica, do teu peito macio, das tuas pernas
fortes, das tuas mãos precisas, dos teus braços de me conservar, poupar,
acolher e ter, da tua língua escrita de magoar, da tua língua falada
silenciada, ou só da tua língua.
Ai: ai de secar. Estio.
Teus olhos são, ainda em tua-foto-minha, que encaro há vidas,
o que me sobra de ti nesses dias longos de te chamar e você não mais me
assistir dormir. Todo o teu corpo em resto falta na figura, como faltam apenas
a mim os caros cuidados teus. Justo a mim que sou teu par, que te canso de
fugir para me encontrar do lado de fora.
Mas, pequeno seria o meu amor se motivado por qualquer
pedaço teu que não teus olhos, ou sequer seria amor, pois teus olhos são, das
imagens inspiradoras, o mais talhante. Dos signos do mundo, os mais expressivos;
das ruas, as esquinas mais perigosas. Dos desejos, o de mais ranzinza e idoso futuro.
Dos planos, os mais finos, prateados e sem pedras. Dos anseios, as raspas mais
rústicas do nosso lar. Dos amores, o de mais fincar, e ficar, e matar, e dar
vida, e fazer doer, e fazer feliz.
Meus olhos, a caixa pequena de castanho estranho onde estão
guardados o meu quilate e A Verdade – os meus olhos, Lucy, Bette, Passarinho,
Amor, Meu bem, Baixinha, Pequena, Mulher, ranger azul – os meus olhos, Luciana,
são de você e apenas de você, os maiores espelhos: olhos teus, como tão e
apenas teus são meu corpo e meu amor!
Zuri.
♪ longe de você, meu bem.
28.01.2014
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