quinta-feira, 6 de março de 2014

Eu, passado menine

Dizem todas as vozes, em coro: “Vai passar!”.

Para Chico, vai passar na avenida um samba popular. Para uma compositora conhecida minha, vai passar a boca e chegar, quem sabe, o calor – calores tantos de bocas que menine não sabe contar... Para a doce Lílian, que ouve, obrigada pelos ossos do ofício, minhas queixas tantas, vai passar a transformar-se o amor. Para a preta thaítica, que não é alguém, mas um estilo de vida, vai passar a esquizofrenia.

Sem mais isso de morrer de afeição, que passem todos os indumentos, todas as peças, todas as roupas, todas as máscaras, tudo que me é alheio, e reste apenas a nudez. Que o todo se passe em ferros quentes, como quentes têm sido meus dias de recuperação. Ventila dor. Vidas vividas, lenços umedecidos, pontos, ligações. Incisão inflamada como inflamado está o ego, o olho, a mulher eu. Ventilador, quando tudo é de lembrar, até se perder.

Vai passar porque tudo passa e Otto, para distrair, fala de dp...

Cessado o cavar de dores, com o silêncio finalmente bem vindo, descontinuada a vitimização mútua, detidos os choros e cadenciada a respiração (1, 2, 3, 4, 10...), que, a mim, sobre a nudez.

Felizes para sempre sejam os sujeitos não identificados, os discos voadores e o cavalo de Arthur!

E eu nua...
Despir-se é o que faz quem vê o fim.
Eu me dispo.
Zuri.
05.03.2014

19:05

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