Dizem todas as vozes, em coro: “Vai passar!”.
Para Chico, vai passar na avenida um samba popular. Para uma
compositora conhecida minha, vai passar a boca e chegar, quem sabe, o calor –
calores tantos de bocas que menine não sabe contar... Para a doce Lílian, que
ouve, obrigada pelos ossos do ofício, minhas queixas tantas, vai passar a
transformar-se o amor. Para a preta thaítica, que não é alguém, mas um estilo
de vida, vai passar a esquizofrenia.
Sem mais isso de morrer de afeição, que passem todos os
indumentos, todas as peças, todas as roupas, todas as máscaras, tudo que me é
alheio, e reste apenas a nudez. Que o todo se passe em ferros quentes, como
quentes têm sido meus dias de recuperação. Ventila dor. Vidas vividas, lenços
umedecidos, pontos, ligações. Incisão inflamada como inflamado está o ego, o
olho, a mulher eu. Ventilador, quando tudo é de lembrar, até se perder.
Vai passar porque tudo passa e Otto, para distrair, fala de
dp...
Cessado o cavar de dores, com o silêncio finalmente bem
vindo, descontinuada a vitimização mútua, detidos os
choros e cadenciada a respiração (1, 2, 3, 4, 10...), que, a mim, sobre a
nudez.
Felizes para sempre sejam os sujeitos não identificados, os
discos voadores e o cavalo de Arthur!
E eu nua...
Despir-se é o que faz quem vê o fim.
Eu me dispo.
Zuri.
05.03.2014
19:05
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