quinta-feira, 18 de julho de 2013

Rotina

O tempo comerá nossos anos, nossos músculos, devorará nosso ardor
Nossas ideias e lembranças serão flácidas, moles, esquecíveis
Envelheceremos.

Outra semana foi o ano em que tudo começou
A onda

Mas o tempo vem e leva a novidade
O tempo vem e lava a aventura
O tempo vem e corrói a vida

A corrente dos anos nos prenderá uma à outra, até que nosso canto
(aquele lugar nascido no primeiro olhar apaixonado de um século chamado domingo)
Se torne verde de musgo e velho
Mesmo, desaventurado, quieto e cômodo
Igual, amarelado como os escarros e cansado

Passaremos como passam as pitangas podres do terreiro da nossa casa
E ainda assim, até lá, na decomposição da morte, seremos eu e você.
Zuri.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Sim!

Ante aos minúsculos sinais dos teus pés
– Breves como constrangimentos, eternos como fome –­
Que dançam compassados a outros que não os meus e me sorriem um sorriso de promessa, de dentes sadios, braços fortes e bem viver
– Que hoje é teu amor, minha habitação, invasivo de modo que de mim não pode desgrudar, se não em sete vezes setenta vidas –
Teus pés, os mesmos de pouco caminhar, e os meus, malha de amores subjuntivos, sem ainda se tocar, aquecerão um ao outro em cada poro e certezas de amanhã em diante
E sempre.
Sim, eu aceito!


Zuri.
16.07

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Domingo.


Meu pretexto de colorir é um pré-texto para dizer...
Porque seus olhos são lindos!

Céu cor de açaí, praia verdazul
Formigas saltitantes no quintal
Areia com tinta de besouro voador.

A natureza, o firmamento, a galáxia
As ondas da chuva e as gotas de mar
No universo e no inverso de estrelas em uma manhã...

Tudo ao fim de alegrias postiças
Enfim se movimenta
Porque eu te encontrei!

Virou uma infância.
Estranhos nunca mais!

Zuri
07.2012

terça-feira, 9 de julho de 2013

O máximo.

Um recém-querido desconhecido, de uns dias, me escreveu em letras garrafais: eu te acho o máximo, você se acha o máximo?"
...
Há para mim, duas formas de desabotoar mal entendidos, uma pela força, quando você violenta, não ouve e não se deixa esclarecer, ou que o outro se esclareça, e a outra pela delicadeza.
A minha valentia de força se perdeu, ou se guardou, reclusa que é, num lugar tão dentro de mim que nem eu alcanço. Desejo de ser bem quista, bem vista, bem amada, bem respeitada, esse, sim, me resta inteiro, sem o medo da destreza de não sercorrespondida.
Perguntas vêm, subitamente, à memória: “você tem medo de ficar sozinha?”, “por que que a gente é assim?”.
Não sou de deixar, sempre fui deixada. Mesmo fulminada de mágoas, traições e faltas de cuidado e bem querer, ou mesmo com um toque de desinteresse, mantive olhos e dedos intactos, dispostos a dar e a discar.
Mas acabou.
Todos acabaram e, quando a gente se encara, pé no pé, joelho no joelho, ombro no ombro e olhos nos olhos, vê que, genuinamente, a porta se fechou e não interessa querer "ver o que você faz". Sim, eu passo bem demais, mas, agora, não precisa ver, não tem que nada, nem alguma coisa.
O máximo? Não sei, mas eu sou de não deixar.
O máximo? Não sei, mas eu sou desejante.
E como desejante-não-valente, a segunda forma é a delicadeza. 
Inquieta, sensível, falante trêmula, amarga-doce, de passado autodestrutivo e atormentado pela inaptidão. Passado o passado, eu levantei e andei, até correr seis quilômetros.
Zelina se importa com a opinião dos outros, se emociona, se orgulha por uma oitavo lugar qualquer, dentre setenta e dois, num vestibular qualquer, de um curso qualquer, com um pai, também, qualquer.
Zelina conversa com deus e chora.
"O máximo" me parece uma inverdade superiormente interessante, em se tratar de mim mesma. Essa máxima eu não sou, mas sou a máxima da delicadeza infrene.
O máximo? Nunca saberei, mas eu sou delicada, carinhosa e gosto de abraços.
Visível, incomestível, não perecível, dada a neologismos e, agora que aprendi, se "Costa" é originada do litoral, litorânea sou, também. 
O máximo, talvez não, mas eu sou de fé em deus, das Letras, da Ufba, do oitavo lugar, dos amores acabados, da novidade vinda da praia, da palavra e das águas.



Zuri.

Carta de publicar.


Patrício,

Eu tenho fé!
Acredito nas pessoas, seus sorrisos, seus amores, seus fins.
Acredito em transas de vidas, em histórias que se misturam por ser continuidade de textos atrás. Acredito no esquecimento. 
Tenho fé!
Me abandono, emotiva que sou, nas ondas, ora rasas, ora fulminantes dos sentimentos que dou, guardo, ignoro ou dos que escancaro.
Sentimento aberto ao público, de orgulho e de paz é este, com, de e para você! É explícito, e vivo, e constante!
Aquela minha fé, da qual você não compartilha, me diz que, nem o fim, aquele triste, de dor, despedida e morte, nem ele, ou o tempo, ou alguém, ou ninguém, ou tudo, ou nada é capaz de interromper esse movimento que flui.
Digo e não preciso dizer. Calo e não preciso calar. Ouço quando quero, não quero, preciso e nem precisava ouvir.
Eu sei dessa correnteza de cuidado que vem e volta. Você sabe dessa correnteza que vem e volta.
É sintonia!
Sua amizade suaviza minhas tensões e medos mais intensos. Sua felicidade faz pulsar minha alegria mais sincera. Seus conselhos incitam meu amor mais próprio.
Meu bem! Meu aconchego! Meu cúmplice! Meu amigo mais íntimo! Meu amor mais lindo!
Minha pessoa te admira, meu emocional te precisa, minha vaidade se inunda por ter sua amizade e meu espírito te ama!
Feliz aniversário, presença indispensável em meu mundo!

Zuri.

Grito de amor, dia do meu príncipe, primavera 2012.

Menina Dultra

Thais,

Dezenove de janeiro chegando é sempre uma nova crise para mim. O que posso te dizer? O que tenho a falar que você já não saiba? Como me atrever a escrever à alguém tão intensamente dada a fragmentos? Mas já que dissertamos sem perceber, usamos argumentos e situamos nosso ponto de vista a todo o tempo, sei que não posso, mesmo em uso de todo o meu léxico, precisar quem é, ou o que representa Thais para mim, mas vou tentar fazê-lo em nome do que já se tornou um ritual em nossas comemorações.
Você é uma excelente dançarina de pagode, fato! Se o doutorado não der certo, se jogue!
Você é doce, meiga, escandalosa, ouvinte, falante...
Você é tátil e visivelmente bela. É sedutora! Faz um cuscuz como ninguém! Tudo, não necessariamente nessa ordem.
No entanto, quando encontrei seus longos cabelos e seu olhar encantador de estranheza, que não entendia, ao certo, o que via, quando me olhava, além do seu sorriso insistente que adoro, minha admiração fincou raízes mesmo foi na sensação das coisas invisíveis, no que, de verdade, me convoca a viver suas cores. Esses sim são seus maiores encantos.
Eu te admiro desde a sua mais sutil exibição, quando suas suavidade e meiguice se agigantam, até a brutal postura crescente de quem sabe defender seus ideais.
Você é decidida, perseverante, determinada, dona de opiniões e discursos coerentes e fortes que, não raro, me fazem discordar, mas não deixam de me surpreender.
Você é tanto de tanta coisa que torna mais fácil detalhar o que não é.
Você não é rasa, tampouco passageira. Seus laços não são superficiais, nem efêmeros, em vez disso, atingem níveis pouco alcançáveis de intensidade e emoção.
Emoção essa que já decepcionou, frustrou, destruiu amizades (“eu vi a placa, ah que eu mato aquela surfistinha”!). Emoção ora raivosa, ora triste, ora confusa por causa da ausência ou da possibilidade dela. Emoção que, em resultado da reação de quem não te conhece, te fez chorar no chão do café, no carro da virada, no ombro de Josefina, onde eu nem estive.
Mas não liga não, a gente sempre aprende, depois de se gastar, que “o que os outros pensam a nosso respeito não é da nossa conta” e o mais importante é que essa mesma emoção, esse mesmo impulso, na maioria dos seus dias e relações, se desdobra numa expressão transformadora, uma espécie de hipertexto sentimental que culmina na coletividade, na união de completos desconhecidos, numa enorme e agitada teia de amor que te faz tão querida.
Você é imensamente amada, minha amiga! É linda! É alguém com quem eu sei que posso contar!
Lembro quando perdemos, tão tristes, mas sempre esperançosas, nossas vozes cantando uma à outra: “não chore ainda não que eu tenho a impressão que o samba vem aí...”. E sempre vem! Eu confio em você e sei que ele vem!
Ah, Thais, além de saber, você precisa ver, tocar, sentir o apresso tamanho que tenho pelos dramas, histórias e grandes alegrias que permeiam os percursos transados das nossas vidas e configuram essa nossa colcha de retalhos cheia de choros descabidos em bares, noitadas, risadas impróprias, neuroses estranhas, bobagens, conquistas, ânsias, crises, paizões, juventude e amor.
Outrora você representou o empurrãozinho na madrugada: “vamos pra lá agora, e Adriano dirige!”.
Representou a insatisfação com um toque de impotência: “já tá assim de novo [...]?! você não merece isso!”.
Lembra aquela época em que chorona me era quase um codinome? Roseri que o diga...
Pois é, menina Dultra, passado o tempo de dores e de “amores mal lavados” é importante lembrar que nem sempre nossas lágrimas foram de tristeza. Muitas delas foram causadas pela sensação de um novo tempo, caíram pela certeza de progresso, brotaram da mais otimista felicidade!
É por tudo isso, Thais, que hoje, no meu templo de largos sorrisos, você representa o ressoar polifônico de uma grande amizade. Amizade nem sempre a todo vapor, nem sempre presente em forma física, nem sempre disposta a ouvir repetitivos lamentos, mas verdadeira. Hoje, sou convicta de que o é, porque, mesmo em diferentes fases e distâncias, não desaparecem as razões e raízes profundas que conduziram sua criação e teceram-na a esse modo torto e confortável em que ela é.
Brindemos a nós, a nossa música, a esse encontro, ao seu dia, a nossa amizade e a esse olhar!

Zuri.
Dia de aniversário, noitada 2012.