quinta-feira, 18 de julho de 2013

Rotina

O tempo comerá nossos anos, nossos músculos, devorará nosso ardor
Nossas ideias e lembranças serão flácidas, moles, esquecíveis
Envelheceremos.

Outra semana foi o ano em que tudo começou
A onda

Mas o tempo vem e leva a novidade
O tempo vem e lava a aventura
O tempo vem e corrói a vida

A corrente dos anos nos prenderá uma à outra, até que nosso canto
(aquele lugar nascido no primeiro olhar apaixonado de um século chamado domingo)
Se torne verde de musgo e velho
Mesmo, desaventurado, quieto e cômodo
Igual, amarelado como os escarros e cansado

Passaremos como passam as pitangas podres do terreiro da nossa casa
E ainda assim, até lá, na decomposição da morte, seremos eu e você.
Zuri.

Um comentário:

  1. Dá pra ver a vontade da perenidade no seu poema. è lindo, eu entendi. Mas eu não gosto de coisas escatológicas, então não gostei do "amarelado como os escarros". Fora isso, curti. É esse?

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