Faz tempo que a gente não se vê, que quase fiz um soneto,
mas nem sei. Com poesia não me dou assim.
Se lembra que abraça quando não sabe o que dizer, lembra que
bem sei tentar falar e, quando não, da minha janela entra um vento que diz sim.
Tudo é transição, dinamismo e movimento, desde a sua
reclusão temporal, até a ânsia de querer mais e ter na vida sabor de novo.
Tudo aqui é sobre nós e nosso mar aberto, nossa primavera de
respeito, risadas, de olhos infantis que, num processo conjunto, querem se
entender, se conhecer.
Se o vento manda falar de lua, de crescimento, de impulso
otimista mútuo, ambas se transformam. Se nos manda falar de anos, temos pouco
mais que seis, mas guardamos experiências dentro dos nossos sapatinhos de
tricô, porque a vida é mais que translação, lua, é história, construção. Se de
amor, esse é nosso plano. De juventude, nosso reino. De independência, nosso
caminho. Fato é que não vivemos demais, resta uma longa estrada ainda, até nos
enxergarmos como a velha rabugenta e sábia que guardo em casa.
Chatas nós já sabemos ser, e partimos, e sumimos. Falo de
nós, porque sei que nosso tempo para e passa, outra vez. A gente volta. É só o
momento de aprender a andar só, por um caminho bom.
Na afinidade célere, na troca de livros, no silêncio de
meses, a alma está incluída e é dela, se não para ela, também, que se fala.
É, de novo e sempre, tempo, lua.
Só a gente sabe de nós o que ninguém pode questionar, de
corpo e de coração.
De lua é você!
Toda qualidade de franqueza, sensualidade, cuidado e
inteligência, é de lua. O medo do desconhecido também.
O frio na barriga, a falta de ar e a vontade desenfreada que
ainda não veio, “não se afobe não que nada é pra já”, uma hora vem. E com o fim
deles, nada de guardar decepções e mágoas, em vez disso, cultivemos o
aprendizado, a resiliência que brota de toda relação.
A vida é de fases, então vai sambar, vai sair pra rua,
menina! Fases como a lua, ora terna, ora tosca, ora minguante, ora cheia, ora
Cris. Vai se fazer mulher, lua!
Sinta a vibração e, ternamente, o abraço, porque eu te adoro
e faz tempo que a gente não se vê.
Zuri.
Camaçari, verão 2012.