Oliver,
Queria poder te tocar em sua solidão. Quanto mais o conheço,
mais percebo que não existem regras, nem brecha onde eu possa entrar, deitar
minhas palavras.
Caminho pelas ruas da cidade, ora querendo te encontrar, em
outros tempos, suando, correndo, fingindo tão bem que não quero te ver e até me
convenço.
Te olho de longe, atravesso a rua, escrevo cartas extensas
que não lerá e, se ler, nem saberá o nome. Jamais dirá ser o seu. Ninguém que
eu não queira o fará.
Ando, tanto que me escondo na caixa de não te querer, me
sabotando, desconhecendo, misturando um reflexo que nunca foi meu.
Congestionou. Demais é muito também.
Eu acordo com seu corpo ao meu lado. Mas quem seria? Quem é
ela que se fez você, que me rouba o direito do “eu aceito!”? Quem são todas
elas, Oliver?
Ah, portas sempre abertas...
Aquele pé de laranja lima que cheira logo cedo, antes do
sol. Enquanto isso, me vou do seu colo, no meio do dia, arrastando comigo mais
marcas, digitais por toda a extensão desse meu destino de corpo só.
É tanto, ou tão pouco, ou ar de nem sei...
Acontece que não aprendi, cheiro, a dar metades de mim, não
sei viver sem ser inteira, feita da fome, de choro, de risos.
Não posso com isso, desaprendi a te olhar sem invadir, dizer
sem mergulhar, viver sem planos, escrever contido.
Ciúme não sou eu, todos não me têm. Fui feita para uma vida
de dois, você, para multidões, ora iguais a você, ora iludidas. Então, adeus e
até lá e até não e até que um dia...
Zuri.
Camaçari, primavera
2011.
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