Quisera eu, meu desejo, poder criar um submundo
particular onde o discurso condiga com a prática.
Ele seria perfeito!
Nele, pessoas seriam vistas e quistas, genuinamente, como
tais. Não seria necessário me esconder nos discursos pré-moldados, arquitetados
para, ora aproximar, ora afastar a essência do que sinto.
Como em
bastidores, numa versão intimista da própria coisa monstruosa de existir, ainda
com a falta de você, deixei de questionar e aceitei que fui, também, calmante e
excitante, mas no submundo particular inventado, eu acharia o lugar onde
o silêncio com nada se pareça, onde eu pudesse, sem julgamentos e transtornos,
apenas dizer.
Nesse submundo, fingir não seria preciso. Eu poderia
assumir essa morte de dor que tenho agora, pra viver, depois, um lugar de paz.
Quisera eu, nele, poder querer.
Mas eu fui nossas
conversas caladas, o zumbido irritante do seu silêncio maduro, da sua
paciência, do seu susto com a minha loucura, todas as vezes que a minha quietude
se desfez.
Medo, insegurança...
Fui o ato da
procura, a espera cansada e a iniciativa que deram nos nervos.
Esse nó, meu
deus, na garganta, essa puta de uma noite vazia num bar, lá, nada disso
existiria.
Eu seria, lá,
Caitano, só a impressão do seu jasmim delicado, com os cabelos ao vento. Sua Flor.
Sem perdição, quando
não, quando se, sempre que talvez. Sem choro doído.
Em dias de sol,
seríamos um riso eufórico, um cheiro intenso da novidade que veio um ao outro.
Seriam sinceros,
pensamento e fala.
Sem tormento, só
paz!
A supraeu sem
fake.
Lá!
Depois.
Zuri.
Camaçari, dias 2011.
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