Oliver,
Buscamos sentidos demais. Vivemos de muito. Alto-falantes,
deduções, conclusões confusas, em vez de toques, olhares e nada além.
Muito prendi, engoli orgulhos e próprios amores. Tanto
tentei amar livremente que fiquei. Tanto que te quis e fiz, e vi e dei e
fracassei...
Tanto recebi de apetites à mesa e na cama, vivendo
bebadamente o desencontro, os calos do som e os pés que se enroscavam embaixo
dos lençóis, buscando calor.
Tanto colhi dos seus lindos olhos tão pretos, nessa
travessia de línguas e cheiros, que achei que bastasse. Mas como me bastaria
agarrado a angústias?
A poesia não via, mas não havia como me tocar sem fazer de
mim apenas uma delas.
O sal dos anos que te dei, ora em carne, ora em rancor, me
consome aos poucos. Tão longe que, em vão, tento voltar aos tempos da nossa
música, onde éramos e podíamos ser nós. Você comigo, nosso momento, em tempos
de corações cansados.
É imprescindível o soluçar de arranhões que a saudade não
apaga? Saudade infinita que , por todos os lados, se estende.
Fizemos de tudo, por tantos tempos, não mais que uma farsa,
uma explosão tão grande de cores, que eu pouco soube.
Cedi, sim, a excessos e vaguei no meio da noite à, com
ofensas, te encontrar, lá. Dolente. Ainda assim, tanto me fiz feliz que, de um todo,
me curvei às tuas vontades. Tanto gosto e vida, emoção e bem querer me tinha
que machucava, mas eu queria mais.
Ah, meu amor, meu bem, meu bem, meu bem, por que caricaturas
a mim? Por que me toma em enganos? Por que não me toma se tanto sabe, ao fundo,
do desejo que atribuo à imagem que tenho criado de ti?
Hoje o deslumbre da lua, com seus clarões, me lembra dos
dias de paz, seguidos da estação onde até hoje te espero, onde no infinito de
mim, esperarei.
Meu peito apertado ama de um amor tão grande que melhor me é
lembrar que molhamos nossas bocas antes de renunciar a nossa vida de momentos.
Salgado, frio.
E quando fiz, desafinei. Quando lembro, dói, quando a dor
para, sigo a experimentar o universo de possibilidades que me cerca, sem
esquecer, ou a não lembrar que te amei, porque tanto cá e só te amo!
Hoje fechamos, separamos, fizemos de nós no fim do fim, enfim
um fragmato. Um adeus.
Attraverssiamo!
Zuri.
Camaçari, outono 2011.
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