ao meu amor
"se esse amor
perdura, então, quem tem razão?!"
no aniversário de evilin
havia um pula-pula. foi nele que esta coisa aqui começou a brotar...
ah, achei aquela música
que você tocou para mim, numa foto qualquer, de um lugar qualquer da rede...
encontros: coisas bonitas, até quando não são. reencontros: coisas inesperadas,
desejadas, forjadas ou compostas pelo destino... reencontro é só questão de
tempo. destino é só questão de atrair e se deixar... como você sabe, não
acredito em coincidência, mas cansei de achar que tudo é sinal. ou é? seria?
sei não!
agora só quero ler os
livros da estante que nunca abri, inclusive aquela lembrança física de você.
que letra linda, meu aconchego! que lindo tudo que é escrito de você para mim!
(mesmo quando não se assume, mas que eu, com minha presunção, sempre sei!).
lembra aquele livro velho que veio do outro lado do país com teu nome? que
sinal que nada, vamos deixar disso! mas era natal, lembra?...
pior que, quando paro e
penso, não me convenço. tudo é sinal, bicho!
você não pode me ter de
volta e achei, semanas a fio, que é por não querer. mas é que me ter de volta
não está ao teu alcance. não sou mais a mesma.
(é estranho misturar as
segundas pessoas da nossa língua, e, como não sou sandra, ênclises não são bem
vindas por aqui. os possessivos e pessoais se entrelaçam entre segundas e
terceiras, mas você nunca repara no meu vernacular. tô sentindo que você só
repara em mim. sentindo ou querendo. querendo, né? afinal, você repara em tudo,
até não reparar, assim como eu amo, até não amar).
expulsei a única criança
da festa do pula-pula e fiquei lá, quicando, sem ar, pela primeira vez desde o
início dessa nossa disritmia em par, de um jeito que não era por você. amor, eu
pulei até chorar, eu gritei até ferir a garganta. suei loucamente! - se você
está lendo isso, sei que parou no momento em que expulsei a criança do
pula-pula e, provavelmente, fazendo aquela cara meio assim --'. aquele olhar...
calma! quando eu saí, a criança voltou. mas só voltou para ser expulsa por
outras crianças adultas com problemas mentais, como eu - .
depois daquelas cinco
horas de alívio ao telefone, tudo vem como uma poluição maltratadora que
deteriora as sobras de verde.
está indo. aos poucos,
mas está. existem medos também aqui.
mas, tá aí, de verde eu
gosto e concluí que a poluição tem que se danar!
- "você desistiu?" - "amor,
agora eu não posso nada!". e isso, por acaso, é desistir, dona?! isso, por acaso, responde a pergunta? então,
por que eu desistiria se tudo vibra, ainda que sem lógica, razão, racionalidade
ou paz?
eu não posso ter você de
volta porque nos amamos, mas andamos verdes. é isso e apenas isso.
eu, cinza, você, em outro
tom, no entanto, e no fim das contas, verdes de juventude.
te ter de volta não está
ao meu alcance.
comer com as mãos, em
cima da cama, digitar esta carta e sujar meu teclado de gordura, acordar no dia
seguinte com ele e suas formigas ao meu lado; comprar um vinho, um mundo de
bombons de castanha de caju e assistir a minha série predileta, que também é
tua série predileta, fez com que esta coisa aqui continuasse brotando.
"esta coisa", nesse momento, é o que está ao meu alcance.
não podemos nos ter de
volta porque não estamos no mesmo tempo.
o meu tempo está lá, nos
prelúdios, na decoração rústica da casa - que bom não brigarmos por isso! que
bom! - e se afastando cada vez mais, e recuando, cada dia um tantinho, dos
males da desconfiança; o teu, no inexistente pensar e nos braços fortes e reais
do passado. ou braços que só existem como passado para mim e esse teu pensar
que, de tanta falar e de tanto insistir, se tornou um real paralelo: verdade de
escolha tua, não quem eu sou!
isso está saindo da minha
existência através do não e do silenciar, porque cansa.
o que sei é que está ao
meu alcance o que a vida me traz e isso é, por ora, contas, música brega, um
pouco de choro e dever de casa.
"não chore! não
fique assim! você não merece! esqueça!"... ouço tantas vozes, tantos
palpites... e quanto a você, amor, você merece não saber dessa menina eu e
viver assim e esquecer? sei que não! sei que não preciso dizer o porquê. mas
fugir mudará?
para onde irá o
sofrimento se não sofrermos agora? amar é tudo, mas confiança é tudo também,
então vá, porque um não é sem o outro!
não, eu não me nego! está
ao meu alcance escolher esperar, porque bem querer é sempre e inevitavelmente
agregador. mas mais, bem mais que chorar e pagar contas, e ouvir música brega e
ver anitta e roberto no especial tosco de natal - "olha, você tem todas as
coisa que um dia eu sonhei pra mim...". me emocionei sem nenhuma vergonha!
- e não fazer dever de casa - isso já com certo constrangimento -, meu coração
pulsa por te querer bem e transborda disso toda vez que chove e toda vez que
você acredita que as núvens são de algodão doce.
ô, amor, nem são. são
meio que água parada mesmo. chuva condensada, começando a querer cair... quando
pesa cai e pinga até acabar. mas que me importa no que você acredita se eu te amo dissonantemente?! um dia cê vai simplesmente saber e é por esse dia que eu
ficarei bem aqui!
o sofrimento vai acabar,
as lágrimas hoje nem rolaram, mas a matéria prima de mim é a minha emoção e minha metade de nós assume um
formato ∞. eu nunca estive tão íntima desse pedaço de mim, esse lado que é capaz de deixar a outra parte ir e, ainda assim, se sustentar e se projetar
além da raiva que volta e meia vem, mas nunca é de ficar, e é por isso que penso poder te levar. e por isso sou grata. sempre serei!
quem sabe te levo um dia,
ou você vai de vez, ou te trago de volta para outra beira de mar, porque a que
tivemos já não serve. nunca serviu... ou irei eu, então, para os lados opostos.
ou você me trará de volta, porque eu também preciso ir... quem haverá de saber?
não confiar só leva para longe, mas longe é pra onde o tempo pode nos carregar, se Ele quiser.
a responsabilidade para e
de ser eu ainda está aqui, então, preciso me retomar.
o vinho acabou. o choro
acabou. acabou muita coisa.
"casal" o que é? quem sabe corujas paridas... ainda quero
massagens nos pés e jamais ser uma foto, mas deixei de ser de pedir.
chega de evocar o passado. volte com a outra metade para criar um
inteiro novo. depois.
sem mais e sem
"ses", boa noite!
zuri
quinta
26.12.2013