sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

pra ser sincera

ao meu amor 
"se esse amor perdura, então, quem tem razão?!"

no aniversário de evilin havia um pula-pula. foi nele que esta coisa aqui começou a brotar...
ah, achei aquela música que você tocou para mim, numa foto qualquer, de um lugar qualquer da rede... encontros: coisas bonitas, até quando não são. reencontros: coisas inesperadas, desejadas, forjadas ou compostas pelo destino... reencontro é só questão de tempo. destino é só questão de atrair e se deixar... como você sabe, não acredito em coincidência, mas cansei de achar que tudo é sinal. ou é? seria?
sei não!

agora só quero ler os livros da estante que nunca abri, inclusive aquela lembrança física de você. que letra linda, meu aconchego! que lindo tudo que é escrito de você para mim! (mesmo quando não se assume, mas que eu, com minha presunção, sempre sei!). lembra aquele livro velho que veio do outro lado do país com teu nome? que sinal que nada, vamos deixar disso! mas era natal, lembra?...
pior que, quando paro e penso, não me convenço. tudo é sinal, bicho!

você não pode me ter de volta e achei, semanas a fio, que é por não querer. mas é que me ter de volta não está ao teu alcance. não sou mais a mesma.

(é estranho misturar as segundas pessoas da nossa língua, e, como não sou sandra, ênclises não são bem vindas por aqui. os possessivos e pessoais se entrelaçam entre segundas e terceiras, mas você nunca repara no meu vernacular. tô sentindo que você só repara em mim. sentindo ou querendo. querendo, né? afinal, você repara em tudo, até não reparar, assim como eu amo, até não amar).

expulsei a única criança da festa do pula-pula e fiquei lá, quicando, sem ar, pela primeira vez desde o início dessa nossa disritmia em par, de um jeito que não era por você. amor, eu pulei até chorar, eu gritei até ferir a garganta. suei loucamente! - se você está lendo isso, sei que parou no momento em que expulsei a criança do pula-pula e, provavelmente, fazendo aquela cara meio assim --'. aquele olhar... calma! quando eu saí, a criança voltou. mas só voltou para ser expulsa por outras crianças adultas com problemas mentais, como eu - .

depois daquelas cinco horas de alívio ao telefone, tudo vem como uma poluição maltratadora que deteriora as sobras de verde.
está indo. aos poucos, mas está. existem medos também aqui.
mas, tá aí, de verde eu gosto e concluí que a poluição tem que se danar!

 - "você desistiu?" - "amor, agora eu não posso nada!". e isso, por acaso, é desistir, dona?! isso, por acaso, responde a pergunta? então, por que eu desistiria se tudo vibra, ainda que sem lógica, razão, racionalidade ou paz?

eu não posso ter você de volta porque nos amamos, mas andamos verdes. é isso e apenas isso.
eu, cinza, você, em outro tom, no entanto, e no fim das contas, verdes de juventude.

te ter de volta não está ao meu alcance.

comer com as mãos, em cima da cama, digitar esta carta e sujar meu teclado de gordura, acordar no dia seguinte com ele e suas formigas ao meu lado; comprar um vinho, um mundo de bombons de castanha de caju e assistir a minha série predileta, que também é tua série predileta, fez com que esta coisa aqui continuasse brotando. "esta coisa", nesse momento, é o que está ao meu alcance.

não podemos nos ter de volta porque não estamos no mesmo tempo.

o meu tempo está lá, nos prelúdios, na decoração rústica da casa - que bom não brigarmos por isso! que bom! - e se afastando cada vez mais, e recuando, cada dia um tantinho, dos males da desconfiança; o teu, no inexistente pensar e nos braços fortes e reais do passado. ou braços que só existem como passado para mim e esse teu pensar que, de tanta falar e de tanto insistir, se tornou um real paralelo: verdade de escolha tua, não quem eu sou!

isso está saindo da minha existência através do não e do silenciar, porque cansa.

o que sei é que está ao meu alcance o que a vida me traz e isso é, por ora, contas, música brega, um pouco de choro e dever de casa.
"não chore! não fique assim! você não merece! esqueça!"... ouço tantas vozes, tantos palpites... e quanto a você, amor, você merece não saber dessa menina eu e viver assim e esquecer? sei que não! sei que não preciso dizer o porquê. mas fugir mudará?
para onde irá o sofrimento se não sofrermos agora? amar é tudo, mas confiança é tudo também, então vá, porque um não é sem o outro!

não, eu não me nego! está ao meu alcance escolher esperar, porque bem querer é sempre e inevitavelmente agregador. mas mais, bem mais que chorar e pagar contas, e ouvir música brega e ver anitta e roberto no especial tosco de natal - "olha, você tem todas as coisa que um dia eu sonhei pra mim...". me emocionei sem nenhuma vergonha! - e não fazer dever de casa - isso já com certo constrangimento -, meu coração pulsa por te querer bem e transborda disso toda vez que chove e toda vez que você acredita que as núvens são de algodão doce.
ô, amor, nem são. são meio que água parada mesmo. chuva condensada, começando a querer cair... quando pesa cai e pinga até acabar. mas que me importa no que você acredita se eu te amo dissonantemente?! um dia cê vai simplesmente saber e é por esse dia que eu ficarei bem aqui!

o sofrimento vai acabar, as lágrimas hoje nem rolaram, mas a matéria prima de mim é a minha emoção e minha metade de nós assume um formato . eu nunca estive tão íntima desse pedaço de mim, esse lado que é capaz de deixar a outra parte ir e, ainda assim, se sustentar e se projetar além da raiva que volta e meia vem, mas nunca é de ficar, e é por isso que penso poder te levar. e por isso sou grata. sempre serei!

quem sabe te levo um dia, ou você vai de vez, ou te trago de volta para outra beira de mar, porque a que tivemos já não serve. nunca serviu... ou irei eu, então, para os lados opostos. ou você me trará de volta, porque eu também preciso ir... quem haverá de saber? não confiar só leva para longe, mas longe é pra onde o tempo pode nos carregar, se Ele quiser.

a responsabilidade para e de ser eu ainda está aqui, então, preciso me retomar.

o vinho acabou. o choro acabou. acabou muita coisa.

"casal" o que é? quem sabe corujas paridas... ainda quero massagens nos pés e jamais ser uma foto, mas deixei de ser de pedir.

chega de evocar o passado. volte com a outra metade para criar um inteiro novo. depois.

sem mais e sem "ses", boa noite!

zuri
quinta

26.12.2013

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

ainda



"i am not moby dick!"

zuri, repetitiva, gelina, aline, zeza, fraude, helena, amiga... tantos são os nomes que me chamam e, de todos, eu escolheria qualquer um que não o meu para, finalmente, não mais ser eu.
eu quereria ser até a invenção, aquela de teu achar sem discernir, que obedece a exigências. tanto seria mais fácil não ser eu, não ser a eu fraca e real. tão pequeno seria ser só aquilo. mas, vez ou outra, eu que(re)ria!
seria pequena que quase coisa alguma. pequena que calada. pequena que desistente, embora desistente seja o que já preciso, ainda que real, só ser. ou relutante por mim.  relutante por nós, quem sabe...
mas como posso ainda pensar em nós e, simultaneamente, ser a beira daquela água parada e suja de fundo azul?
ah, sendo verdade, eu seria um nada! 

nada, inexistente e desintegrada são tudo que quero ser sem os bordados misturados dos nossos destinos. 
"boa noite.": assim, em minúsculas e ponto.
e a casa, as meninas, a caixinha, o amanhã?
eu agradeço a deus por tudo se resumir a "boa noite.", conhecendo o injusto que já veio de muito mais pesar.

tu tentas ser feliz, amor, vivendo de sol e de rir, e eu mereço, também, tentar e não sufocar. 
por isso o sono, por isso a fuga, por isso o desligamento para lá, onde te encontro cotidianamente, como fora um dia o esbarrar dos nossos olhos: sonhos

não posso me expor ao sol. nunca pude. seria isso? 

que fazer, deus, com esse gigante que outrora era um grão e cresceu, e apareceu e se estendeu tanto acima do que meu corpo sente poder suportar?
é o sal, a doçura, o apetite, a saudade desmedida, o pensamento fixado no "se", nos sábados, nos dias 16... o pensamento fixado no " de tanto falar do que é óbvio, serei eu a que não o vê?"
por quê tudo isso? cadê a tão falada obviedade que não me vem como vai aos meus?

sítios, fotos, planos, piscinas, reveillons, segundas-feiras, campos e espaços: onde esse grão crescido que mora em mim não bate, meu coração também parou!

para não dizer o que viventes terrenos leem em mim, e já nem posso mais, direi num jeito teu daquilo estranho de querer dizer que, para mim, sempre diz:
"meu corpo cansado descansaria você! cansará?".

ainda não.
zuri, tentando não pensar
24.12.2013

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

sobre o homem da minha vida

"i was blessed because i was loved by you!"

às vezes, as pessoas me perguntam por que eu não gosto do natal, já que sou quem sou e acredito no que acredito...
pois então, fora aquele papo todo de capitalismo, desculpa para consumir e coisa e tal – os males da nossa civilização – eu não gosto do natal há uns 5 anos, porque ele faz a gente querer estar perto de quem a gente ama e eu, infelizmente, já não posso. ao menos, não fisicamente. no resto do ano não é fácil, mas esse dia afoga porque pede corpo no corpo como nenhum outro. sei lá, é a energia de abraçar, mas se não há o segundo corpo...
acho que dezembro todo é assim, não?!
natal mistura meu ouvir clara nunes com os sabores de adolescência. aliás, clara é um deles. bezerra da silva, também, né, meu velho?! risos...
“viola, minha viola”. eu odiava, todo domingo aquilo, aff, mas agora sempre me emociono com a voz horrorosa de inezita!
natal mistura a mais genuína nostalgia a uma crença de que nos veremos no futuro, não sei bem quando, na verdade, quando eu não faço ideia, mas sei onde!

ainda lembro os cheiros, a barba meio falhada, o lado esquerdo do rosto que trazia aquela marca de infância... ainda lembro a cor dos olhos, sempre que vejo os meus: um castanho indeciso, uma coisa meio mel, meio clara, meio escura, meio cheia de graça ou, em dias tristes e no pôr do sol, sem resquícios dela.
é por isso que eu não gosto do natal, porque o homem da minha vida está bem em algum lugar que não ao meu lado, me dando colinho, olhar fulminador – ele só precisava me olhar, nunca precisou encostar a mão em mim – ou me dizendo que o que sinto agora é fase e vai passar, porque todo o resto passa.
ele diria, certamente, para eu ter o que nunca tive: paciência.

“minha filha, tu perde tanto por querer tudo na hora. tenha calma. viva com paciência!”

meu velho, depois de quase trinta eu ainda sou a mesma criança que quer pedalar pela primeira vez sem as rodinhas. lembra a queda? a velha ficou furiosa! e aquele bloco da reforma? você disse pra eu não subir, eu lembro! a cicatriz está aqui, firme e forte, para nunca me deixar esquecer até onde posso subir. eu nem lembro se doeu muito, deve ter doído, para eu ter feito aquele escândalo, mas eu lembro do merthiolate que você passou depois. naquele tempo aquela porra ainda ardia...

você era tão sereno, tão sensato, tão forte! todo mundo te amava! eu queria ter herdado isso tudo, mas só herdei a cor dos olhos. meu bem me disse que são espelhados. diria o mesmo dos seus, porque são de você! acho que meu bem amaria você – claro, afinal, todo mundo te amava! –.

a última vez que nos vimos, em vida de carne, sob aquela luz de u.t.i., você disse, “é dia ou já 'anoiticeu'? aqui é claro o tempo todo, eu nunca sei... você já tá cuidando de você minha filha?” e eu respondi: “vovô, eu te amo!”, porque a resposta para a sua pergunta não seria  a que queria ouvir.

mas eu sobrevivi sem você, do jeitinho que você prometeu.
eu envelheci, eu errei, acertei, eu me apaixonei, desapaixonei, amei de fazer planos, como gente grande, de casinha, muito amor e crianças, mas de tudo que é certo é que um pedaço grande de mim ficou ali, naquela sala, e de lá só sairá quando eu te encontrar de novo!

um dia eu aprendo, vovô, a cuidar de mim e a ter paciência para não perder, mas eu já aprendi que você nem sempre esteve certo, porque nem tudo passa.

você não passou!

“i’m everything i am because you loved me!”

sinto sua falta!

sua menina
manhã de dezembro 
20.12.2013

Coração a seco: ciúme

"meu corpo exausto descansaria você", disse o meu idealizado bem, com seus futuros e sua boca de prosa semi-silenciosa, nas leituras que me fazem feliz. 
futuro do pretérito: condicional.
esse bem é meu, o mesmo bem que agora se expõe ao sol, em águas artificiais de fundos azulados. ouvi dizer, Bem, que azul é a cor mais quente... nem vi. 

esse bem que era meu e do litoral, hoje é de águas rasas.

preciso ir indo de lado e rindo de meio, e enchendo malas e mochilas para não superlotar  cabeças - a tua, a minha, o mundo - . além de não combinar com teus óculos avermelhados, sou piegas, simplória, repetitiva, meio cega e  mastigo devagar. 
a linha... 
de resto, minúcia: hábitos, manias, sonhos, bocas e mãos no meio da cozinha - ai, aquele prelúdio... - receio patológico de desagradar...
azul é, sim, quente, penso eu, cá, com meus inconformismos, mas amor não é só de querer fazer, é de colo e de dormir. 
só o teu!
amanhecer? só contigo!
dar? só para inteiros, quando "só" não for "duas".
depois? 

quem há de saber, se não ele próprio, o que, afinal, o tempo fará de nós?

eu sei que são de andanças e eu semanas, de forças e eu desalinhos, de estares e eu chamados. 
sempre a linha...
eu sei que, enquanto azuis e quentes, sou cinza, nublada e de dormir, mas meu pensamento mais irregular não vê onde eu caibo em abreviações.
eu sou resiliente e grande!
torta que ando em tentar aplainar meus caminhos, fragmentei-me ao meio para, nos próximos sétimos dias que logo vêm e que sempre virão, me inteirar de mim.

sem mais, piscina é pormenor, Bem, chuva, que corre, lava e leva para longe, não!


Zuri.
véspera de sábado.
00:41  

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O beijo.

A um lindo amor.

"... foi só por um segundo, todo o tempo do mundo, e o mundo todo se perdeu"


Hoje o amor chegou cansado, num abraço de dias, num olhar que se estendeu por horas: quinze minutos.
Abraço de amor não carece de justificativa, não é troca de favores ou anulação de você, de mim, do nosso orgulho.
Abraço de amor, dona, é casa para a gente morar e que o diga o palpitar dos nossos peitos. E que o confirme, não eu, com meus verbos - que são meu princípio e meu fim - ou você, com o silêncio, a precisão ou a precipitação, mas o vento.
O ar voltou a se movimentar. Não há nisso, talvez, um amanhã. Ontem não havia.
Não pode haver. Ontem já não poderia.
E quem sabe?
Tempo...
Amanhã é futuro e terminações de tempos futuros são imperfeitas: não há "depois" fora do reino hipotético.
Você, meu bem, não é hipótese, tampouco eu o sou.
Hipótese é prelúdio, casa, caixinha, pés inchados, crianças... Hipótese é superação, racionalização, saída definitiva do reino da fantasia.
Fantasia?
Como se eu não sou se não a outra metade daquele abraço?
Eu não sou se não a sensação do segundo peito a palpitar, do segundo olho, meio refletido nas suas lentes avermelhadas. Eu não sou se não o segundo meio sorriso, ou sorriso ao meio, o segundo rosto não simétrico, sei lá, o "lado b" dos seus discos de mal gosto - Deus meu, que mal gosto, Moby Dick! -.
Posso não ser um amanhã, como pode você, também, não mais me ser aconchego, mas eu sou a pessoa dos dias de água e isso, nem a natureza pode negar.
Meus maus hábitos e comentários grosseiros - ela aceitou, nunca mais digo aquilos tudos! -, minha mania de comer devagar e meus três furos tortos na orelha, feito a mão por uma garota de treze anos, a tal garota que ainda existe em mim, não mudam o fato de eu ser a segunda boca.
A boca de um momento que me ensinou a sofrer, a não respirar, a me afogar, mas, principalmente, a amar com planos, a ser, em dado momento, feliz, mesmo só,  ou feliz em ser duas - "um breve momento de felicidade, não é? pois é, eu sou boa nisso!".
Sim, você é!
Mas é tão mais...
Quisera eu ser e fazer de você apenas um momento, já que não posso costurar nos sonhos um amanhã.
Mas eu quero felicidade em contínuo, sempre que sim, sempre que dia, sempre que sábado, sempre que ano novo, não apenas quando não der mais para segurar. E, acredite, eu seguro. Esta sou eu segurando!
E eu sou a boca para beijos de um segundo, ou de invernos e outonos, de quatro meses, quatrocentos anos, ou nem mais um dia. Eu sou a boca para beijos de língua escrita, falada, cantada desafinadamente e misturada, para o prazer dos ouvidos larísticos, ao seu grave: "entra pra ver...".
Eu sou a boca para beijo de verbo e de olhar, como num estado amante do humano - amante de e por ser aquela que ama, amante de amor que fica, amante de desembarcar em qualquer estação levando comigo, na lembrança e na falta de ar, o meu último, único e mais lindo objeto de desejo. Mas eu também sei ser aquela que ama de desistir - que sabe ser sem você, mas o não pensar no amanhã faz enxergar que o amanhã não vale pelos abraços até ontem inesperados.

Eu sou a segunda boca de fazer ser agora. Ou não.
Eu me retiro.
Um beijo!

Boa noite!

Zuri
17/12/2013

domingo, 15 de dezembro de 2013

There is no spoom!

Há no mundo quem se alimente de luz e não falta nele quem, por sua vez, se nutre de iluminações artificiais. A essas, vida longa! Da minha criatividade ardida e ardente, nenhum fervor viria que não das rasteiras do tempo de quem se dedica a acolher os monstros.
S.A. de fofidão! Monstrinhos lindos e medinho de esgotar quem já se foi...
Vai, corre veloz para as noites impunes em braços tão mais fortes que os meus! Quem bom! Os monstros, vez ou outra, são de temer as criancinhas, mas eu já saí, então, boa sorte!
Ficção para quê, bicho?! Já deu!
Meu óbvio é o arrebatamento, a cor gril do mar, os dias cinza, sem graça (sem graça para Larissa, para mim, têm todo o gracejo do qual a existência na terra precisa) que são de todas as minhas exclamações! Eu nunca gostei de muito sol mesmo...
Eu gosto de nublagem, do humano e de meio termo. O meio é, em orientação, o meu lugar. O caminho do meio, em balanceamento, é a minha busca: objetivo de vida - equilíbrio.
- Agora, a pose da velha que guardo em casa, porque mão na cintura é um charme. Que velha linda, que sangue meu, que cor que é a cor da minha pele, que integridade: parte grande do que me teceu! -
Ficção, rei, é possível como é possível o real, a não ser quando barata em falta de essência, ou em demasia de essência corneadora do ato repetitivo de apunhalar - apelativa, eu?! Apelativo é se achar o sol e vir em todas as almas que possuem corpos um complô de planetas que giram apenas para convencimento e mescla do surreal em matéria, do ante-estrutural em sistema, do absurdo no que se pode tocar.
Tátil, darling, é meu irmão de dois anos dizer, do nada: "'Ina', I 'ove' you!". Verdade é ter uma vida para cuidar, então, me poupe!
Convicções?! Convicções ante o que, "meu zen, meu bem, meu mal"? O show... "Ainda lembra disso? Que bom!" - risos -.
Fazia um tempo bom de não descambancação na boca de rua incorporada como se tivesse sido sempre minha.
É...
Mas legítimo e absoluto, não-sol de todo o meu círculo, é eu mesma ser todos os pedaços de mim, sem acaso, sem fingimento, sem coincidência, agora sem mais descaso e com convicção!
E hoje é, de novo, sábado: vida desinteligentemente produtiva na madrugada.
Aliás, já é domingo...
Eu conheço o amor e não é isso!
Boa noite!

Zuri.
15.12.2013

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Aposto

As luzes que brotam da vida da gente vêm dos olhos.
Os olhos é que transformam o torto em retidão, que misturam o indesejável ao mais lindo, que transam o ruim ao melhor que se pode ter ou faz do belo uma permanência no esplêndido, porque belo nunca deixou de ser: aquele olhar em foco, a foto, a respiração descompassada, a localização.

Errante. Linda.
Eu quis!

O que vemos é que transforma tudo em nós e eu vi. Eu sou de ver. 

Olhos nos olhos, sempre, porque, vez ou outra, apenas dos olhos brotam verdades. Se não há olhar, há indiferença e nada mais oposto que amor é parar de olhar.
Há um lugar ainda, e sempre haverá, onde as retinas se encontram e não dilatam e é esse o único lugar de ocupação para nós. Depois.

Falar, não mais, porque já é tempo de ir: 12:35.
Silêncio vem, quando passa de passar e se esgotam os dizeres, ou quando tudo pesa além do que pode ser amparado, mas é nos olhos que está o voo. É desse canto de olhar que sai o melhor e o pior de nós.
Indiferença não é fingir não olhar. Indiferença não é olhar com desprezo forjado. Indiferença é não notar, não ir e se deixar esquecer. Se não tiver que ser, eu me deixo!
Fingir é só gastar um tantinho mais do saldo de ar que anda tão negativo e ir dois passos mais para a direita de mim. Ora, como se tua inclinação fora sempre para a esquerda? Teu ombro, tua cabeça, teu pâncreas, teu abraço... Mas vá, carregue para a direita tudo que se deixar levar!

E quando finges, esse ar parece parar. Todo o ao redor que há ou não há, perde sentido.
Pares de fingir e deixes estar, porque tudo de fingir eu, cá, que ando só, acredito!

Sim, eu quis. E, sim, eu sou de insistir, mas eu também sou de me entregar, então, eu me rendo!
Hoje eu só espero pelo dia em que não mais notarei o que esteve ali, com brilho ofuscante, vivacidade, cinza, riso e umidade.
Repetidos dias de chuvas, como repetidas foram as minhas buscas e as minhas perdas...

O externo é de mal tom: sabemos. O interno está partido em rupturas irreparáveis: sentimos. Mas andar é dor e se é dor há de ser, sempre, alerta. Ao menos, não façamos mais do que compõe aflições. Hoje, eu sequer sei quem eu sou, sei apenas para onde não quero ir e não irei a ti!
Parar, não raro, é o que me mantém em vida.

“Vamos brigar!”, “vamos fingir que não estamos bem, porque se nos vêm assim, tudo dá errado”.
Deu!
Deu para erro, deu para apego, deu para conhecer, re-conhecer e assumir, deu para publicar, deu para amar e, hoje, deu para ir embora. Hoje, deu para não querer tantos quereres.

Mas luzes, olhos e sentires são coisas do humano, como do humano são, também, as escolhas. Nos “nunca mais!” que se dissolvem em uma frase, e nas tais escolhas, se nota o nosso quilate e se tudo não mais for, se for, e irá, eu sei, os olhos continuarão aqui.
Olhos da vida que têm sido de aspereza, rigidez e severidade tão grandes, mas, ainda assim, vida. O movimento de ser e desdramatizar o existir precisa continuar.

Há um mundo lá fora para além eu. Há ondas cinzas no mar para além do que me vem de ti.
Então, viva!

Ps.: De todos os sins findados, há, ainda, um: sim, eu te amo!

Zelina: eu.
Sexta-feira 13, em fins de 2013.

domingo, 8 de dezembro de 2013

00:39:16

Lu,

“Sem pedras o arco não existe”.

Há um ano a pilha do controle remoto do meu dvd acabou e só não assisto nele, desde então, por esse motivo. Digo um ano para ser boazinha comigo mesma, é claro, afinal, não posso me boicotar! Com otimismo, deve ser algo em torno de três décadas e, como você diz: “toda errada!”. Melhor deixar para lá...
Nunca fui muito de pensar sobre mentiras porque, para quem fala com exageros, como eu, aprender a mentir é quase um sonho, a se conter, então... Utopia. Larissa diz “você pensa que mente bem e que disfarça, mas, só pra você saber, todo mundo percebe!”. Sim, todo mundo percebe, todo mundo sabe, todo mundo vê, todo mundo ouve, todo mundo sente, exceto você!
Mentiros@s parecem viver e conseguir o que querem, afinal, o plano de solidão era voltado para quem, de fato, está só...
E hoje é sábado.
Mas e o justo, onde fica? E o certo, para onde foi? E o retorno, quando chega? E o tempo, Pai, o que diz de tamanha permissividade? 
São tantos “por quê?” – Por que eu? Por que agora? Por que comigo? Por que não eu? Por que não antes? Por que não sem migo? Por quê?
É porque eu sou eu – aquela eu de todas aquelas falhas, a eu de faltas, a eu de não sinal de folha, a eu de disparates e gripes e cama e febre e falta de banho no tal dia 7 –  ou por que alguém foi transformada em mim? Ou por que você compôs alguém em mim? Ou por que você quer achar alguém que não existe em mim? Ou por que alguém te deu uma eu que não sou?
Sei lá, mas hoje é sábado e quando é sábado tudo fica ainda mais difícil!
Pessoas, quando mentem, não deveriam ter direito a conseguir o que é buscado, mas, se a inverdade não é você, o que é buscado se dá, porque o que é buscado jamais se ausentou. O que é buscado sempre esteve lá e ausentou-se, pelos medos que alguém conhecia, apenas de mim.
Se não a própria mentira, o buscado é você, que saiu de mim, dos nossos sábados e do nome próprio.
Mas eu ainda sou eu e o mundo ainda é cheio de teias.
(Emaranhado fluxo de consciência: o que vou fazer no réveillon que passaria nos abraços com você? Onde você vai estar? Onde eu não sei, mas sei com quem, porque ela, sim, existe! Preciso comprar as pilhas para ouvir os fogos, à meia-noite, rindo de alguma comédia barata, jogada no sofá... O sofá é verde... Acabei de ver uma lagartixa... Putz, preciso estudar...).
Agora, sob descabidos tecidos que não se encaixam e um tantinho de racionalidade faz ver, não posso ter ideias geniais, nem levantar antes das 16:00, ou desfazer os nós nos meus cachos curtos, que estão tão embolados quanto o meu pensamento em você: Sabe? Fez? Inventou? Vingou? Mentiu? Traiu? Amou? Não sabe? Não fez? Não inventou? Não vingou? Não mentiu? Não traiu? Amou?
Ama? Então por quê?
A sensação que vem, que dá e não passa, é que toda a sobra deve ser dada ao esquecimento, mas eis a única coisa que é, para mim, uma certeza, contra todas as evidências, contra todas as coisas inventadas, somadas, ditas, feitas e não feitas, uma latência que vem i-n-s-i-s-t-e-n-t-e-m-e-n-t-e ao juízo, se reconfigurando em meio a tantos expostos: eu te amo em sobras, demasia, fervor, verdade, planos, expectativas e em frustração!
Eu te amo sem sentido, em todos os sábados, todas as segundas, todos os corredores onde te espero passar, em todos os quadros mal pintados e em todas as coisas que não preciso esconder.
Eu te amo de um amor de publicar e, pelas vias do cuidado, há de se sentir.
Cuide, Lu! Cuide!
Hoje, tudo desse amar não é como antes, mas com pesar e apesar(es). 
Por quê? 
Porque hoje é sábado e tudo que eu gostaria de deixar lá no mais profundo mar do esquecimento veio e nunca precisou voltar, porque nunca saiu: você!
Mas e a maldita pilha do controle remoto? Você sempre soube? Então por que não ligou, não escreveu, não viu? Você sequer pensa? Você nem luta e eu não posso ir além, porque além é onde já estou. Você mudou de nome!
Eu passo sem isso!
Quando a gente não tem os títulos, é o quarto, a música, o chocolate, o lugar... Hoje, o tempo é a ligação. Hoje, o nome é a sua voz. Hoje, saudade é o que tenho de você, que está em todas as coisas.
Lu, quando caminhamos dentro dos nossos sonhos, nossa essência não nos deixa só, e o amor, em e por si, é o melhor que há para se fazer, morrer e teorizar. Mas amor vale apena mesmo quando é de se viver.
Eu não quero te amar de morrer, não mais, eu quero te amar de viver e de emanar olhar, de longe, mesmo quando você come coisas misturadas no prato, quando parece não raciocinar, quando finge não saber quem eu sou, quando ignora o óbvio, ou quando faz uma volta completa em torno de si para nada, só porque é idiota, então, amor, eu vou te amar de longe, enquanto longe você quiser estar, e vou cumprir as promessas que me fiz.
Levantei.
Sair e comprar a pilha do meu controle remoto é movimento.
Eu não acredito em coincidências e todo ruído é sinal! Eu não acredito em coincidências é o mar de conversas forjadas é sinal! Eu não acredito em coincidências e olhos nos olhos é sinal, como é sinal o coração!
Mas, que me importa o sentido? Hoje é sábado...
Eu ainda estou aqui, vermelho ainda é cor, prelúdios ainda valem a pena e se é amor é de buscar.
Choveu. 
Sempre chove e quando as águas vêm eu sinto: não pode ser, então, por que não me deixar molhar?
Não mais, não desse jeito, só.
Busque, ache e percorra o caminho para onde os sentidos te mandarem voltar.
Siga seus instintos e me tire, de uma vez, daqui!


Zuri.
07 de dezembro do ano em que re-conheci o meu amor.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

“O mistério do porvir”

Dedicado a Luciana Silva Santos, 
Loo Lucca ou Luciana Néri, quem
quer que seja ela e se ela existir.


Li em algum lugar que uma pessoa comum maravilha-se com coisas incomuns, enquanto uma pessoa sábia maravilha-se com o corriqueiro.
Como diz vovó, sabedoria é só paciência, então, sábia eu sei que não sou. Ainda. Mas não se pode dizer que eu não sei ver.
Vinha eu, com minhas queixas, atrasada para o trabalho, sem banho, sem comida, sem açúcar e sem afeto, quando, de repente, olhei pela janela do ônibus e vi um homem.
Os olhos daquele homem me disseram que não apenas eu tenho problemas, que não apenas eu sinto dor, que não apenas eu busco ar.
Eu? Quem, afinal, sou eu?
Quem seria eu se não meus erros de digitação nas cartas que te escrevia, ou minha estranha caligrafia na carta que jamais te foi entregue? Ou, quem sabe, minhas lamúrias nas mensagens da madrugada? Meus sentimentos que foram lidos e deletados por outra pessoa? (Disso me sobram inconformismos! Isso, nada refaz!).
“Selina, você confia muito nas pessoas”, “Selina, você fala demais!”, “Selina eu te amo!” você dizia... Pois bem. É, confio, e por isso cheguei até aqui e por isso adiante não vou mais!
A fé no ser humano não deu para perder, porque ainda há gentes na terra que se movimentam para o bem, mas a marcha lenta para fazer amizades, o freio para as paixões humanas e a coragem para ver o que não se sente poder acreditar, diante de tantos outros sentires, foram devidamente iniciadas. Agora eu não apenas acredito, agora eu sei!
Se eu pudesse, e não sendo a vida tão áspera, moraríamos naquela sexta-feira de manhã – 29 de novembro de 2013 –, ou, quem sabe, na quinta de águas, dia anterior – "... chove, eis aqui alguém para fazer ser agora um amor de água". Zuri, nosso dia de chuva –  quando tudo era o que hoje não é, mas eu não posso, porque as escolhas estão para-além-eu. Eu não posso porque eu preciso sair pra rua, e sorrir e ser feliz e cantar e gritar até que passe. 
Eu não posso porque eu preciso viver e viver exige atenção!
Subsistir até que você passe, até que passem todas as lembranças de que, tão só, fui acusada de tanto ter, até esquecer seu novo sobrenome, é o que me resta.
E a força do hábito, o que se faz dela?
Isso, assim como quem você é, eu não sei! Só o tempo...
Mas, Luciana, o tempo passa sem misericórdia ou a misericórdia é o próprio passar do tempo?
Nesse momento sei pouco, mas, por causa de você, do seu novo sobrenome, de todas as mentiras e de tudo que já passou de passar, estou aprendendo a aceitar que as pessoas podem não ser quem ou como idealizamos e que é preciso parar de espernear a cada tropeço.
O crescimento vem e, por ele, obrigada!
Eu sei quem eu sou e sei que publicar é não precisar esconder. Eu é que fui segredo.
Nem tudo faz sentido, mas isso faz!

Em luto por quem deixou de existir e pelo que acabo de deixar de ser!

Zuri
Catalisador de tristezas

02/12/2013