sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

pra ser sincera

ao meu amor 
"se esse amor perdura, então, quem tem razão?!"

no aniversário de evilin havia um pula-pula. foi nele que esta coisa aqui começou a brotar...
ah, achei aquela música que você tocou para mim, numa foto qualquer, de um lugar qualquer da rede... encontros: coisas bonitas, até quando não são. reencontros: coisas inesperadas, desejadas, forjadas ou compostas pelo destino... reencontro é só questão de tempo. destino é só questão de atrair e se deixar... como você sabe, não acredito em coincidência, mas cansei de achar que tudo é sinal. ou é? seria?
sei não!

agora só quero ler os livros da estante que nunca abri, inclusive aquela lembrança física de você. que letra linda, meu aconchego! que lindo tudo que é escrito de você para mim! (mesmo quando não se assume, mas que eu, com minha presunção, sempre sei!). lembra aquele livro velho que veio do outro lado do país com teu nome? que sinal que nada, vamos deixar disso! mas era natal, lembra?...
pior que, quando paro e penso, não me convenço. tudo é sinal, bicho!

você não pode me ter de volta e achei, semanas a fio, que é por não querer. mas é que me ter de volta não está ao teu alcance. não sou mais a mesma.

(é estranho misturar as segundas pessoas da nossa língua, e, como não sou sandra, ênclises não são bem vindas por aqui. os possessivos e pessoais se entrelaçam entre segundas e terceiras, mas você nunca repara no meu vernacular. tô sentindo que você só repara em mim. sentindo ou querendo. querendo, né? afinal, você repara em tudo, até não reparar, assim como eu amo, até não amar).

expulsei a única criança da festa do pula-pula e fiquei lá, quicando, sem ar, pela primeira vez desde o início dessa nossa disritmia em par, de um jeito que não era por você. amor, eu pulei até chorar, eu gritei até ferir a garganta. suei loucamente! - se você está lendo isso, sei que parou no momento em que expulsei a criança do pula-pula e, provavelmente, fazendo aquela cara meio assim --'. aquele olhar... calma! quando eu saí, a criança voltou. mas só voltou para ser expulsa por outras crianças adultas com problemas mentais, como eu - .

depois daquelas cinco horas de alívio ao telefone, tudo vem como uma poluição maltratadora que deteriora as sobras de verde.
está indo. aos poucos, mas está. existem medos também aqui.
mas, tá aí, de verde eu gosto e concluí que a poluição tem que se danar!

 - "você desistiu?" - "amor, agora eu não posso nada!". e isso, por acaso, é desistir, dona?! isso, por acaso, responde a pergunta? então, por que eu desistiria se tudo vibra, ainda que sem lógica, razão, racionalidade ou paz?

eu não posso ter você de volta porque nos amamos, mas andamos verdes. é isso e apenas isso.
eu, cinza, você, em outro tom, no entanto, e no fim das contas, verdes de juventude.

te ter de volta não está ao meu alcance.

comer com as mãos, em cima da cama, digitar esta carta e sujar meu teclado de gordura, acordar no dia seguinte com ele e suas formigas ao meu lado; comprar um vinho, um mundo de bombons de castanha de caju e assistir a minha série predileta, que também é tua série predileta, fez com que esta coisa aqui continuasse brotando. "esta coisa", nesse momento, é o que está ao meu alcance.

não podemos nos ter de volta porque não estamos no mesmo tempo.

o meu tempo está lá, nos prelúdios, na decoração rústica da casa - que bom não brigarmos por isso! que bom! - e se afastando cada vez mais, e recuando, cada dia um tantinho, dos males da desconfiança; o teu, no inexistente pensar e nos braços fortes e reais do passado. ou braços que só existem como passado para mim e esse teu pensar que, de tanta falar e de tanto insistir, se tornou um real paralelo: verdade de escolha tua, não quem eu sou!

isso está saindo da minha existência através do não e do silenciar, porque cansa.

o que sei é que está ao meu alcance o que a vida me traz e isso é, por ora, contas, música brega, um pouco de choro e dever de casa.
"não chore! não fique assim! você não merece! esqueça!"... ouço tantas vozes, tantos palpites... e quanto a você, amor, você merece não saber dessa menina eu e viver assim e esquecer? sei que não! sei que não preciso dizer o porquê. mas fugir mudará?
para onde irá o sofrimento se não sofrermos agora? amar é tudo, mas confiança é tudo também, então vá, porque um não é sem o outro!

não, eu não me nego! está ao meu alcance escolher esperar, porque bem querer é sempre e inevitavelmente agregador. mas mais, bem mais que chorar e pagar contas, e ouvir música brega e ver anitta e roberto no especial tosco de natal - "olha, você tem todas as coisa que um dia eu sonhei pra mim...". me emocionei sem nenhuma vergonha! - e não fazer dever de casa - isso já com certo constrangimento -, meu coração pulsa por te querer bem e transborda disso toda vez que chove e toda vez que você acredita que as núvens são de algodão doce.
ô, amor, nem são. são meio que água parada mesmo. chuva condensada, começando a querer cair... quando pesa cai e pinga até acabar. mas que me importa no que você acredita se eu te amo dissonantemente?! um dia cê vai simplesmente saber e é por esse dia que eu ficarei bem aqui!

o sofrimento vai acabar, as lágrimas hoje nem rolaram, mas a matéria prima de mim é a minha emoção e minha metade de nós assume um formato . eu nunca estive tão íntima desse pedaço de mim, esse lado que é capaz de deixar a outra parte ir e, ainda assim, se sustentar e se projetar além da raiva que volta e meia vem, mas nunca é de ficar, e é por isso que penso poder te levar. e por isso sou grata. sempre serei!

quem sabe te levo um dia, ou você vai de vez, ou te trago de volta para outra beira de mar, porque a que tivemos já não serve. nunca serviu... ou irei eu, então, para os lados opostos. ou você me trará de volta, porque eu também preciso ir... quem haverá de saber? não confiar só leva para longe, mas longe é pra onde o tempo pode nos carregar, se Ele quiser.

a responsabilidade para e de ser eu ainda está aqui, então, preciso me retomar.

o vinho acabou. o choro acabou. acabou muita coisa.

"casal" o que é? quem sabe corujas paridas... ainda quero massagens nos pés e jamais ser uma foto, mas deixei de ser de pedir.

chega de evocar o passado. volte com a outra metade para criar um inteiro novo. depois.

sem mais e sem "ses", boa noite!

zuri
quinta

26.12.2013

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