Dedicado a
Luciana Silva Santos,
Loo Lucca ou Luciana Néri, quem
quer que seja ela e se ela
existir.
Li em algum lugar que uma
pessoa comum maravilha-se com coisas incomuns, enquanto uma pessoa sábia
maravilha-se com o corriqueiro.
Como diz vovó, sabedoria é só paciência, então, sábia eu
sei que não sou. Ainda. Mas não se pode dizer que eu não sei ver.
Vinha eu, com minhas queixas, atrasada para o trabalho, sem
banho, sem comida, sem açúcar e sem afeto, quando, de repente, olhei pela
janela do ônibus e vi um homem.
Os olhos daquele homem me disseram que não apenas eu tenho
problemas, que não apenas eu sinto dor, que não apenas eu busco ar.
Eu? Quem, afinal, sou eu?
Quem seria eu se não meus erros de digitação nas cartas que
te escrevia, ou minha estranha caligrafia na carta que jamais te foi entregue?
Ou, quem sabe, minhas lamúrias nas mensagens da madrugada? Meus sentimentos que
foram lidos e deletados por outra pessoa? (Disso me sobram inconformismos!
Isso, nada refaz!).
“Selina, você confia muito nas pessoas”, “Selina, você fala
demais!”, “Selina eu te amo!” você dizia... Pois bem. É, confio, e por isso
cheguei até aqui e por isso adiante não vou mais!
A fé no ser humano não deu para perder, porque ainda há
gentes na terra que se movimentam para o bem, mas a marcha lenta para fazer
amizades, o freio para as paixões humanas e a coragem para ver o que não se
sente poder acreditar, diante de tantos outros sentires, foram devidamente
iniciadas. Agora eu não apenas acredito, agora eu sei!
Se eu pudesse, e não sendo a vida tão áspera, moraríamos
naquela sexta-feira de manhã – 29 de novembro de 2013 –, ou, quem sabe, na quinta
de águas, dia anterior – "... chove, eis aqui alguém para fazer ser agora
um amor de água". Zuri, nosso dia de chuva – quando tudo era o que hoje não é, mas eu não
posso, porque as escolhas estão para-além-eu. Eu não posso porque eu preciso sair
pra rua, e sorrir e ser feliz e cantar e gritar até que passe.
Eu não posso porque eu preciso viver e viver exige atenção!
Subsistir até que você passe, até que passem todas as
lembranças de que, tão só, fui acusada de tanto ter, até esquecer seu novo
sobrenome, é o que me resta.
E a força do hábito, o que se faz dela?
Isso, assim como quem você é, eu não sei! Só o tempo...
Mas, Luciana, o tempo passa sem misericórdia ou a
misericórdia é o próprio passar do tempo?
Nesse momento sei pouco, mas, por causa de você, do seu
novo sobrenome, de todas as mentiras e de tudo que já passou de passar, estou
aprendendo a aceitar que as
pessoas podem não ser quem ou como idealizamos e que é preciso parar de
espernear a cada tropeço.
O crescimento vem e, por ele, obrigada!
Eu sei quem eu sou e sei que publicar é não precisar
esconder. Eu é que fui segredo.
Nem tudo faz sentido, mas isso faz!
Em luto por quem deixou de existir e pelo que acabo de
deixar de ser!
Zuri
Catalisador
de tristezas
Pesado! E bonito, apesar e talvez por tudo.
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