sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Aposto

As luzes que brotam da vida da gente vêm dos olhos.
Os olhos é que transformam o torto em retidão, que misturam o indesejável ao mais lindo, que transam o ruim ao melhor que se pode ter ou faz do belo uma permanência no esplêndido, porque belo nunca deixou de ser: aquele olhar em foco, a foto, a respiração descompassada, a localização.

Errante. Linda.
Eu quis!

O que vemos é que transforma tudo em nós e eu vi. Eu sou de ver. 

Olhos nos olhos, sempre, porque, vez ou outra, apenas dos olhos brotam verdades. Se não há olhar, há indiferença e nada mais oposto que amor é parar de olhar.
Há um lugar ainda, e sempre haverá, onde as retinas se encontram e não dilatam e é esse o único lugar de ocupação para nós. Depois.

Falar, não mais, porque já é tempo de ir: 12:35.
Silêncio vem, quando passa de passar e se esgotam os dizeres, ou quando tudo pesa além do que pode ser amparado, mas é nos olhos que está o voo. É desse canto de olhar que sai o melhor e o pior de nós.
Indiferença não é fingir não olhar. Indiferença não é olhar com desprezo forjado. Indiferença é não notar, não ir e se deixar esquecer. Se não tiver que ser, eu me deixo!
Fingir é só gastar um tantinho mais do saldo de ar que anda tão negativo e ir dois passos mais para a direita de mim. Ora, como se tua inclinação fora sempre para a esquerda? Teu ombro, tua cabeça, teu pâncreas, teu abraço... Mas vá, carregue para a direita tudo que se deixar levar!

E quando finges, esse ar parece parar. Todo o ao redor que há ou não há, perde sentido.
Pares de fingir e deixes estar, porque tudo de fingir eu, cá, que ando só, acredito!

Sim, eu quis. E, sim, eu sou de insistir, mas eu também sou de me entregar, então, eu me rendo!
Hoje eu só espero pelo dia em que não mais notarei o que esteve ali, com brilho ofuscante, vivacidade, cinza, riso e umidade.
Repetidos dias de chuvas, como repetidas foram as minhas buscas e as minhas perdas...

O externo é de mal tom: sabemos. O interno está partido em rupturas irreparáveis: sentimos. Mas andar é dor e se é dor há de ser, sempre, alerta. Ao menos, não façamos mais do que compõe aflições. Hoje, eu sequer sei quem eu sou, sei apenas para onde não quero ir e não irei a ti!
Parar, não raro, é o que me mantém em vida.

“Vamos brigar!”, “vamos fingir que não estamos bem, porque se nos vêm assim, tudo dá errado”.
Deu!
Deu para erro, deu para apego, deu para conhecer, re-conhecer e assumir, deu para publicar, deu para amar e, hoje, deu para ir embora. Hoje, deu para não querer tantos quereres.

Mas luzes, olhos e sentires são coisas do humano, como do humano são, também, as escolhas. Nos “nunca mais!” que se dissolvem em uma frase, e nas tais escolhas, se nota o nosso quilate e se tudo não mais for, se for, e irá, eu sei, os olhos continuarão aqui.
Olhos da vida que têm sido de aspereza, rigidez e severidade tão grandes, mas, ainda assim, vida. O movimento de ser e desdramatizar o existir precisa continuar.

Há um mundo lá fora para além eu. Há ondas cinzas no mar para além do que me vem de ti.
Então, viva!

Ps.: De todos os sins findados, há, ainda, um: sim, eu te amo!

Zelina: eu.
Sexta-feira 13, em fins de 2013.

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