terça-feira, 24 de dezembro de 2013

ainda



"i am not moby dick!"

zuri, repetitiva, gelina, aline, zeza, fraude, helena, amiga... tantos são os nomes que me chamam e, de todos, eu escolheria qualquer um que não o meu para, finalmente, não mais ser eu.
eu quereria ser até a invenção, aquela de teu achar sem discernir, que obedece a exigências. tanto seria mais fácil não ser eu, não ser a eu fraca e real. tão pequeno seria ser só aquilo. mas, vez ou outra, eu que(re)ria!
seria pequena que quase coisa alguma. pequena que calada. pequena que desistente, embora desistente seja o que já preciso, ainda que real, só ser. ou relutante por mim.  relutante por nós, quem sabe...
mas como posso ainda pensar em nós e, simultaneamente, ser a beira daquela água parada e suja de fundo azul?
ah, sendo verdade, eu seria um nada! 

nada, inexistente e desintegrada são tudo que quero ser sem os bordados misturados dos nossos destinos. 
"boa noite.": assim, em minúsculas e ponto.
e a casa, as meninas, a caixinha, o amanhã?
eu agradeço a deus por tudo se resumir a "boa noite.", conhecendo o injusto que já veio de muito mais pesar.

tu tentas ser feliz, amor, vivendo de sol e de rir, e eu mereço, também, tentar e não sufocar. 
por isso o sono, por isso a fuga, por isso o desligamento para lá, onde te encontro cotidianamente, como fora um dia o esbarrar dos nossos olhos: sonhos

não posso me expor ao sol. nunca pude. seria isso? 

que fazer, deus, com esse gigante que outrora era um grão e cresceu, e apareceu e se estendeu tanto acima do que meu corpo sente poder suportar?
é o sal, a doçura, o apetite, a saudade desmedida, o pensamento fixado no "se", nos sábados, nos dias 16... o pensamento fixado no " de tanto falar do que é óbvio, serei eu a que não o vê?"
por quê tudo isso? cadê a tão falada obviedade que não me vem como vai aos meus?

sítios, fotos, planos, piscinas, reveillons, segundas-feiras, campos e espaços: onde esse grão crescido que mora em mim não bate, meu coração também parou!

para não dizer o que viventes terrenos leem em mim, e já nem posso mais, direi num jeito teu daquilo estranho de querer dizer que, para mim, sempre diz:
"meu corpo cansado descansaria você! cansará?".

ainda não.
zuri, tentando não pensar
24.12.2013

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