quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

À Thais.

Thais,
Um velhinho me ensinou um dia que datas não são importantes e com o tempo a gente aprende que não são mesmo, porque importante é a mudança, relevantes, de verdade, são as novas e velhas escolhas. No fim das contas, o que conta é o reciclo, nega.
Hoje você acordou e já eram trinta, mas a data não dá sentido a isso, porque lindo mesmo foi o trajeto de menina com catarro no nariz, à mulher; de aspirante a leitora, para mestre; de mais uma vida solta no acaso, à minha confidente.
Três décadas e entre começos e fins houve sempre tempo de acertar, errar, construir ou demolir certezas que plantou. Por isso dezenove de janeiro não é tanto, porque muito mesmo é o tempo de não repetir, levantar, sacudir a poeira! Muito mesmo é independência ou morte de não amadurecer.
Thais, tantas pessoas, tantos anos, entre tantos mundos, minha vida se bordou na sua e a gente vive isso, e se acha em alegrias miúdas, na simplicidade, no chão, em frente a TV... É tão bom ver que você nutre essa certeza de nós e isso sei, não pelo que você diz, nem pelo jeito arredio que assume, quando acha que precisa se defender ou me defender como a um dos seus, mas pelo que vejo nos momentos mais inusitados.
Às vezes, nos instantes mais improváveis, você reluz e me leva.
Não tivemos anos, sequer meses. Tudo que se conhece ainda é pouco, um pedaço pequeno de você, de mim, do que fomos, do que virá... Só sei que são Thaises e Thaises. Irmã, filha, pró, dinda, amiga, Geni, inimiga, amante, ora chorosa, ora sorridente.
Thais de todo mundo! Do mundo, das letras, das cartas, dos fragmentos, dos amores...
Quando alguém me disse: “te vi em várias” imaginei furtar essas palavrinhas e assentá-las em algo que eu diria para você e a gente sabe que a língua, mesmo em poesias, não é muito além de roubo, posso, então, dizer, sim, que “te vi em várias”.
Naquelas caras esnobes de quem sabe, quando o outro desconhece; na cara feia de quem sentiu raiva; na cara constrangida de quem me viu chorar, ou gargalhar demais no teatro; no corpo quente, disposto a abraçar quem tem dor de não ficar em pé, ou apenas um momentinho de carência; no medo de quem me fez dormir com tequila e soníferos...
Vi várias de você em vozes cantarolantes e desafinadas pelos becos da vida, cantando lindo, se pintando...
Vi várias de você quando eu disse “quero ir” e ouvi: “vá!” e em outras tantas que disse “eu vou pular” e ouvi “se jogue!”, mesmo sabendo como eu ia voltar.
Vi várias de você na inconsequência, no impulso, na vaidade, nos berros de rir e no calado triste de lembrar das sombras de tudo que foi, das marcas, dos anos...
Thais, eu vi várias sendo “de quem não tem mais nada”, mas quando olhei direito e era só você, percebi que esse speedezinho juvenil, esses olhos negros, novos, de quem tem uma forma exclusiva de beber, compor, acordar e recompor a grandeza de uma jovem menina aprendiz de balzaquiana, uma mulher construída em décadas, um ser humano tecido em vidas, são só seus!
Por tudo isso, não sei das outras, mas a minha Thais eu quero ver feliz!
Zuri.
Camaçari, verão 2011.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Mensagem à Lira.


Lira, 

Quando a dor não muda o silêncio e o choro não anula a voz contida, diferente é quando se pode ver, tocar, sentir. Diferente é hoje, diferente é seguir, fechar o ciclo e mudar o foco.
E mesmo quando a imensidão das lembranças nos acompanha, há algo nos momentos que não pode ser guardado. E não pode porque tudo passa!
No fim das contas tudo é tão efêmero...
No começo do fim esperado, resta apenas aquele olhar, aquele abraço, um arrepio, o desejo, um beijo o toque e a palavra.
Vem!
Tudo que há hoje é a palavra, então penso em morrer, não irei porque ainda há um longo e sôfrego-feliz caminho a trilhar.

Vou me matar de outra forma, da forma que não me faz tirar a vida, vou morrer no papel enquanto restam as horas. Vou gastar todas as tintas e esgotar todas as possibilidades do não dizer, do silencio, do calado. Vou gritar até desfalecer no papel. Vou suicidar com a tinta, Lira!
E mesmo que eu não esteja mais aqui, ainda na hora em que não reste outro olhar, mesmo depois da morte, até essa hora será a hora da palavra.
Vem!

Zuri.

Camaçari, primavera 2010.

Saudade.

Caitano,

Desculpa, não pude levantar e ir, sem me queixar, outra vez. Cheguei tarde, demorei demais. Mas ouça a nossa música. Outra vez e de novo e mais uma vez e sempre, até sair da melodia e tocar a palavra.
Siga o som.
Quero que saiba que eu sei de tudo que tenho.
Não te vejo, nem toco, ou sinto seu corpo próximo ao meu, roubando a ponta do cobertor, seu cheiro, seu gosto, seu calor nas noites de muitas águas, seu riso, suas expressões... Mas quero, sinto sua falta, muito e muito e sempre, a todo o tempo e não posso, porque se te vir, não vou te deixar!
Abandono tudo no ideal, tudo no pensamento, tudo na insistente fantasia.
Não pense que é impulso ou insistência, por favor, não é! Não vou evitar e também não quero nada em troca!

São apenas as minhas palavras, meus desabafos, minhas sensações, meus pensamentos. Só palavras...
Isso é tudo que eu quero ser hoje, porque eu sei que haverá sempre a palavra!

Te amo!
"Dormirei para avistar-te!"

Zuri.
Primavera 2010



Proposta.


Caitano,

Mantenho as páginas abertas, e com elas descubro vários horizontes, onde estamos antes, onde estávamos hoje...
As vistas nascem na mesma janela. Tudo através da mesma porta.

Outra história. Mais leve. Mais rápido. Devagar!
(Talvez outra porta...).
Não posso usar, não posso abrir as cortinas, farei tudo as escondidas ou você fará por mim?


Caí, voltei, tenho medo de ver, mas estou aqui.
Sempre!
Então veja a beleza, chegue ao fundo do poço e farei! Farei sem ter nas mãos o que será, sem saber, sem conseguir. Seguirei os passos procurando o mais recente, por nada, ou pelo fim.
A confiança lhe deu as chaves pra fugir disso tudo e começar de novo, então, vamos fugir juntos antes de pensar, antes que o querer se vá, antes que...
Agora!
E eu, com as portas fechadas, encerro outra vez e não repito quando nasce na ideia o ar curioso e certo dos textos passados.
Importante, som, é a relação do presente e a vontade no que faço para estar perto, no que insisto para sentir, no que me dedico a ver.
Bom mesmo é o mistério!
Na frequência desconcertante que me pego, te chamo e você não vem.
Vamos fugir para dizer sem laços, experimentar o futuro, sair do grito, saber a verdade.
Vamos partir e, em outro lugar, correr os riscos e falar de vida, falar de acaso, de desencontros...
Vamos fugir e brincar de não mais olhar.


Zuri.

Algum lugar, primavera 2010.

Agora.


Caitano,

Numa dessas noites charmosas, dos dias que escorregam por entre os dedos, em tempos de mentes cheias de vazio e rostos decorados com a futilidade de águas rasas, meu olhar, que nunca os procurou, foi arrebatado pelos gritos que saltavam do chamado castanho dos teus olhos.
Nesse sequestro rico em luz e cheiros de novidade, meus milhões de sorrisos encantados foram sensíveis às graça, respeito e sinceridade daqueles olhos e, de um jeito descuidado, flutuei sobre eles, na tentativa de expressar a alegria de ter, hoje, comigo um desejo, um aconchego, um amigo e um belo arranjo misto em emoção e razão.
Naquela noite primeira, corredores e acasos tomaram parte da direção, mas as cenas seguiram e essas nós fizemos com esperas e iniciativas, longas conversas, compartilhando segredos e deixando escapar vestígios daquela criança que ainda existe em nós. Essas cenas, engendramos ousando, arriscando, vivendo numa mera distração um momento de se gostar.
Daí, então, as horas se acharam perdidas e, nem sei quando, talvez nunca conheça como, mas foi num desses momentos de distração ou, quem sabe, na saborosa sucessão deles, que você se tornou tão fácil uma presença marcante no meu mundo.
Mas os mundos, meu desejo, têm sede das águas de controle, do balancear e de mistérios...
Resta-nos, então, o romantismo ou a falta dele, a esperança ou sua ausência, mas, sem sombras, a doçura e a ilação de que é no constante treinamento da vida, nessa busca incessante por um equilíbrio inalcançável que descobrimos o prazer da trajetória e sentimos o caminho revelar sutilmente esse prazer através das cores exaladas nos encontros da vida, nos gestos e boas companhias, nas diferenças tão iguais, nos gostos, em tudo o que faz de nós o que somos, e, quando as cores finalmente celebram, é hora de se entregar à vibração e deixar fluir.
“Amanhã é tarde demais”
Zuri.
Camaçari, outono 2010


Quando é meia noite.


Caitano,

Em tantos momentos nossos olhos se esbarram com vontades, desdenho, medos e inseguranças nos olhos estranhos das ruas e esquinas tortas.
Os dias forçosos de incansáveis lutas contra as poluições todas de mentes, ambiente e corações, vão riscando a inocência que consuma a gestação de um eu que vive o lado contrário ao externo.
Esse eu puro, caçador da ilusão de um dia somar felicidades, tem que persistir e tomar para si mais uma vez a posse de suas paixões.
Veja!
Siga!
 Então, liberte-se e vem viver comigo!

Zuri.

Outono 2010.

Cartinha de datar.



Caitano,

A lua emaranhada ao verde das árvores, um olhar, o vento frio, o cantinho das lembranças, uma vontade de saudade e os pedidos tantos num só. Eu amo quando você me abraça.
Eu imploro até nascerem versos da areia, por um descuido.
Me abrace, “X, até o sol se pôr e, de novo, até que ele nasça. Até que todas as histórias de amor se rendam a esse encontro.
Me abrace até que os nossos corpos se transformem num único abrigo, até que acabe o dia, para recomeçar.
Me abrace, agora, diante das tintas e cores de evidências, até que o tempo decomponha  o passado e ele vá para longe, viver feliz, lá, também.
Me abrace por ser alguém por quem as palavras vêm e fogem, por me desejar nos mistérios, sem mistério, ou por só querer, também, me abraçar.
Você é meu melhor momento!



Zuri.

02 de fevereiro de 2010

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Nossa estação.


Caitano,

Uma chuva se espalha, lavando a frustração das ruas, e eu aqui, no nosso canto, mergulho na lembrança boa de um ato de entrega a quem se fez tão fácil dono e objeto da minha inspiração.
Nas horas, eu transpiro um querer que quer o seu, me curvo a esse olhar que me rasga e parece buscar um corpo de dentro. Eu me rendo ao encanto que me ganha e me faz crescer ao arriscar o novo, de novo.
 “E no meio de tanta gente eu encontrei você”, eu ouço.
 Me derreto toda pensando em você, no silêncio, entre uma música e outra, que deixa escapar tantos sentimentos bons e entre nós essa distância diferença, quente de cor.
Te deixo ir e fico.
Se puder imaginar, “X”, imagine, como eu me encontro tanto pensando em você que me perco toda nas palavras que se espalham, quando você toca. “Eu podia estar agora sem você, mas eu não quero”.
Eu também podia, mas já não posso.
Num jeito de soma, vamos deixar viver, cada encanto dessa emoção dilatada.
No fim da tarde, uma desconfiança. Pausa para ganhar tempo e viajar. Banho de cachoeira para reviver um pouco de nós e me repreparar para ser tua.
“E eu que pensava que não ia me apaixonar nunca mais na vida”.
E eu, “X”, que nunca sequer pensei em te encontrar no dancing, agora, que mais importa se tenho esse seu olhar? Que mais posso querer, quando você canta lindo e desafinado? “Podia estar tudo, agora, dando errado pra mim, mas com você dá certo”. Que mais, se nada me vê como as suas mãos? Que mais, se você me adora? Que mais, se me aquece nesse dia de chuva de verão, como os seus pés frios saídos do banho?
À noitinha, vi que nem sei quando, e você diz, quando você para de esperar, em novembro, todas as coisas acontecem. Nosso doce novembro, doce dezembro, doce janeiro, doce carnaval, doce amor.
Sem reservas!
 “Por isso não me deixe nunca, nunca mais!”.
Zuri.

Lá, 2009.

Noite de vento.


Caitano,
Em busca de um novo olhar derramei meu oceano, meu mundo de ideias, num universo intransponível, universo íntimo que as palavras não alcançam e os dedos da loucura tocam com intensidade. E revelam a cumplicidade mais densa que os prazeres tantos de invasão.
Naquela noite, nas perguntas, nas vozes, no choro...
No riso, na água, no vento, no grito do nosso encontro, na companhia. Na música transada ao cheiro de madeira.  As cordas. Na leveza das mãos, na incerteza. Na presença, às vezes, ausente do medo.
Em tudo. Tudo que foi isso.
Isso que foi nosso momento.
Que não acabe!
"Para sempre teu, para sempre nosso."

Zuri.

Primavera 2009.

Pergunta.

Caitano,

Vem perverter a sanidade do não e dos medos, porque eu ainda esperaria.
Sem planejar, ou dizer jamais, não almejo ser essa pessoa, então, vem!
Só volta [...] Não me deixe mais um dia sem você!
Me acalanta e dorme sobre o meu cadáver, como um bicho de fome saciada [...]. Bebe as minhas lágrimas até que cessem, contorna os meus textos com todo calor do vermelho [...].
Me vê, me dá, me tira, me toma, me deseja, me transporta, me ama!
Ou diz: o que eu faço agora?

Zuri.

Camaçari, uma madrugada 2009.

Fragmentos de uma carta.

“N”,


No silencio meu e seu, que se diz nosso, alguma coisa fugiu das medianas de expressão.
Medo, rancor, mágoa, sensação de impotência [...] são nada [...].
O perfume das palavras se esconde no personagem [...]
Vinte e três minutos. Lágrimas, risos, dúvidas.
Vinte e três minutos de nada a dizer [...].
Numa cristalização, me separei do que é líquido, veio a tentativa de mudança, porque o espaço vazio do que sinto [...] é descartável, mutável, [...] substituível.
Dentro da fábrica de sonhos, o óbvio nem sempre é o mais interessante. Te vejo e até não quero. Te ouço e vivo nessa troca um grande olhar.
Quando doeu fingi que não vi e continuei rindo da mesma piada.
Não é doença mental, meu rim esquerdo morreu, mas a vida não está aí. Ontem foi só um dia a menos.
A vida está nos fins. Os fins são inspiradores, mas não vá agora!
Não é doença mental, [...] é calor. É a sutil sensibilidade [...] o delírio da novidade já acabou [...], mas resgatei os dizeres, [...] mudei de fase. O sangue estancou.
Eis o poder da nossa peça.



Zuri.

Camaçari, transição 2009

Um, dois, três, fim!


  “N”,


Tenho nada, nem preciso de nada. Então do que sentia falta? Por que não escutava quando tentavam me mostrar quem você é?
Me enganei.
Eu quero um não, se não mereço sim, seu talvez não me basta!
Não estou mais perdida, nem me achei. Estou vagando, a saber, a ouvir de você que tudo pode acontecer, melhorar, mudar, mas esses “tudo” são a tradução perfeita do que é meu medo.
Você mente, eu sei!
E onde quer que vá, não iremos juntos, porque minha musica já está livre. Porque, do nada, entrou, como, do nada, saiu.
(Experimentando, vivendo e tocando o melhor de mim).
Os discos arranhados, se repetindo, apenas, e você permanecendo, num excesso repentino, repercutido de loucura, que não cabe na minha vida, ou onde eu mesmo não caiba.
Será que você não vê, “N”, somos, no mínimo, muito distantes. Entre nós, poucos centímetros são um ano luz.
Por isso, não aproxime minha singularidade numa grosseira comparação, porque o mundo, sem mim, dos outros infernais, faz parte da mesma farsa e forma um mar de rostos serpenteados, onde eu me afoguei.
A cada telefonema dela você mata, processualmente, a minha alma, quando eu nem sei mais com o que me importar.
Você me desmontou, desconfigurou minhas crenças, mas, hoje, tudo é diferente e eu notei a distância. Não estou mais!
Não há mais esforço pra ter o que oferecer, a crise de emoção cessou.
Carnavais não são necessários, dramas, sonhos ilusórios, que eram fantasiados na espera, também não.
O tempo se arrastou, mas o depois, que eu esperava, já veio.
O desejo faz bem até onde não machuca, então, o deixarei à outra, outras, às multidões! (Devia tê-lo feito há dois carnavais!). Não quero mais rolar na escuridão, afinal, há tanta coisa lá fora...
Estou comigo, me completando, me bastando.
Solidão, pra mim, não é fase, “N”, prefiro esse caminho a estar contigo e, por consequência, com ela!
Seguindo à minha maneira, levando um pouco mais de cinismo, aperfeiçoando planos, tocando a vida, o violão... Bem, sem você!
Sendo, agora, quem escolhi, aproveito para reorganizar minhas prioridades.
Nunca achei que fosse fácil, e não é, achei o que não procurava.
Tenho certeza, “N”, que não adianta perseguir uma satisfação temporal, então, vou indo, porque não quero mais e ainda tenho uma vida pra cuidar!
Livrando-me de todo o mal, adeus!



Zuri.


No fim, tempo quente 2008.

Sobre ação e sensação



“N”,

Deixa fluir, não tente me afastar, canse de estar sempre certo.
Alimente agora apenas o desejo fugaz de viver o lado imperfeito do que se tornou.
Corra riscos, dentre eles, esperar não parecer sempre contrário.
Esqueça as bobagens feitas, faladas, pensadas, vividas. No final não foram bobagens.
[...] Não seja áspero, não abra mão do que é, mas do que parece insuportável. [...] Recupere o controle que nunca teve e perdeu.
Aceite minha atenção, veja minhas palavras, ouça minhas expressões [...]

Faz mulher a mim, eu que te vejo, lhe tiro da forma, lhe tenho despido, nu, fora de si [...] eu que te quero. Me faz feliz!



Zuri.
Camaçari, primavera 2008

Além de mim e de nós.



“N”,

[...] as transições do querer me prendem a essa distancia que nos une no exato momento quando você vai.

Você que não entende, não está e não vê. É. E ser de você e permanecer assim me envenena.
[...]
Num dado momento todas as medidas de tempo e espaço se confundem, se misturam nesse choro de sorriso, alegria de dor. [...] que me leva de volta à solidão, não pelo mero prazer, mas pelo vício dela, de crescer e ser quem sou quando não te tenho por inteiro, ainda que tanto queira.

[...] a definição dos papéis no contexto despretensioso do ir e vir me levam à insegurança trazida com a imagem dela. Ela que contorna, determina meu relevo, ela que me absorve, a linha que limita minha importância. A extremidade inferior da direita. Quem possui, combina, toca, convém, intimida. Sente.

[...] quem encontrarei no infinito, que está além de mim e de nós.

Com toda a minha emoção contida e minha discrição, não por você, [...] mas pelo que sou, me desprendo [...] dos desnecessários dramáticos efeitos.

Além de mim e de nós.



Zuri.
Camaçari, primavera 2008





Zuri.
Camaçari, primavera 2008