Thais,
Um velhinho me ensinou um dia que datas
não são importantes e com o tempo a gente aprende que não são mesmo, porque
importante é a mudança, relevantes, de verdade, são as novas e velhas escolhas.
No fim das contas, o que conta é o reciclo, nega.
Hoje você acordou e já eram trinta, mas
a data não dá sentido a isso, porque lindo mesmo foi o trajeto de menina com
catarro no nariz, à mulher; de aspirante a leitora, para mestre; de mais uma
vida solta no acaso, à minha confidente.
Três décadas e entre começos e fins
houve sempre tempo de acertar, errar, construir ou demolir certezas que
plantou. Por isso dezenove de janeiro não é tanto, porque muito mesmo é o tempo
de não repetir, levantar, sacudir a poeira! Muito mesmo é independência ou morte
de não amadurecer.
Thais, tantas pessoas, tantos anos,
entre tantos mundos, minha vida se bordou na sua e a gente vive isso, e se acha
em alegrias miúdas, na simplicidade, no chão, em frente a TV... É tão bom ver
que você nutre essa certeza de nós e isso sei, não pelo que você diz, nem pelo
jeito arredio que assume, quando acha que precisa se defender ou me defender
como a um dos seus, mas pelo que vejo nos momentos mais inusitados.
Às vezes, nos instantes mais
improváveis, você reluz e me leva.
Não tivemos anos, sequer meses. Tudo que
se conhece ainda é pouco, um pedaço pequeno de você, de mim, do que fomos, do
que virá... Só sei que são Thaises e Thaises. Irmã, filha, pró, dinda, amiga,
Geni, inimiga, amante, ora chorosa, ora sorridente.
Thais de todo mundo! Do mundo, das
letras, das cartas, dos fragmentos, dos amores...
Quando alguém me disse: “te vi em
várias” imaginei furtar essas palavrinhas e assentá-las em algo que eu diria para
você e a gente sabe que a língua, mesmo em poesias, não é muito além de roubo,
posso, então, dizer, sim, que “te vi em várias”.
Naquelas caras esnobes de quem sabe,
quando o outro desconhece; na cara feia de quem sentiu raiva; na cara
constrangida de quem me viu chorar, ou gargalhar demais no teatro; no corpo
quente, disposto a abraçar quem tem dor de não ficar em pé, ou apenas um
momentinho de carência; no medo de quem me fez dormir com tequila e
soníferos...
Vi várias de você em vozes cantarolantes
e desafinadas pelos becos da vida, cantando lindo, se pintando...
Vi várias de você quando eu disse “quero
ir” e ouvi: “vá!” e em outras tantas que disse “eu vou pular” e ouvi “se jogue!”,
mesmo sabendo como eu ia voltar.
Vi várias de você na inconsequência, no
impulso, na vaidade, nos berros de rir e no calado triste de lembrar das sombras
de tudo que foi, das marcas, dos anos...
Thais, eu vi várias sendo “de quem não
tem mais nada”, mas quando olhei direito e era só você, percebi que esse
speedezinho juvenil, esses olhos negros, novos, de quem tem uma forma exclusiva
de beber, compor, acordar e recompor a grandeza de uma jovem menina aprendiz de
balzaquiana, uma mulher construída em décadas, um ser humano tecido em vidas,
são só seus!
Por tudo isso, não sei das outras, mas a
minha Thais eu quero ver feliz!
Zuri.
Camaçari, verão
2011.
Ai, meu Deus... ainda posso ver você lendo, segurando o choro, inutilmente, porque nessa época você levava a sério isso de chorar. Tudo, tudinho ainda é, como na sua carta. Só que temos m ais meses, mais cartas, mais anos, mais amizade, mais amor. Tão lindo, que foi incontido chorar, estou dessas agora. Inverte-se, amiga! E quem diria? Saudades de você, da sua leveza meio dura, da suma meiguisse tosca, do seu amor.
ResponderExcluirmais cartas, mais anos, mais amizade, mais amor! that's it!
Excluir