terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Nossa estação.


Caitano,

Uma chuva se espalha, lavando a frustração das ruas, e eu aqui, no nosso canto, mergulho na lembrança boa de um ato de entrega a quem se fez tão fácil dono e objeto da minha inspiração.
Nas horas, eu transpiro um querer que quer o seu, me curvo a esse olhar que me rasga e parece buscar um corpo de dentro. Eu me rendo ao encanto que me ganha e me faz crescer ao arriscar o novo, de novo.
 “E no meio de tanta gente eu encontrei você”, eu ouço.
 Me derreto toda pensando em você, no silêncio, entre uma música e outra, que deixa escapar tantos sentimentos bons e entre nós essa distância diferença, quente de cor.
Te deixo ir e fico.
Se puder imaginar, “X”, imagine, como eu me encontro tanto pensando em você que me perco toda nas palavras que se espalham, quando você toca. “Eu podia estar agora sem você, mas eu não quero”.
Eu também podia, mas já não posso.
Num jeito de soma, vamos deixar viver, cada encanto dessa emoção dilatada.
No fim da tarde, uma desconfiança. Pausa para ganhar tempo e viajar. Banho de cachoeira para reviver um pouco de nós e me repreparar para ser tua.
“E eu que pensava que não ia me apaixonar nunca mais na vida”.
E eu, “X”, que nunca sequer pensei em te encontrar no dancing, agora, que mais importa se tenho esse seu olhar? Que mais posso querer, quando você canta lindo e desafinado? “Podia estar tudo, agora, dando errado pra mim, mas com você dá certo”. Que mais, se nada me vê como as suas mãos? Que mais, se você me adora? Que mais, se me aquece nesse dia de chuva de verão, como os seus pés frios saídos do banho?
À noitinha, vi que nem sei quando, e você diz, quando você para de esperar, em novembro, todas as coisas acontecem. Nosso doce novembro, doce dezembro, doce janeiro, doce carnaval, doce amor.
Sem reservas!
 “Por isso não me deixe nunca, nunca mais!”.
Zuri.

Lá, 2009.

Um comentário:

  1. E eu nem sei o que dizer. É muita paixão, e saudade, e música, e esperança, e dor, e natureza pra um tempo só. Essa confusão de parecer presente e de não saber se já acabou é massa, mostra que não importa, ainda está em vocÊ. Lindo.

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