Lira,
Quando a dor não muda o silêncio e o choro não anula a voz contida, diferente é
quando se pode ver, tocar, sentir. Diferente é hoje, diferente é seguir, fechar
o ciclo e mudar o foco.
E mesmo quando a imensidão das lembranças nos acompanha, há algo nos momentos
que não pode ser guardado. E não pode porque tudo passa!
No fim das contas tudo é tão efêmero...
No começo do fim esperado, resta apenas aquele olhar, aquele abraço, um
arrepio, o desejo, um beijo o toque e a palavra.
Vem!
Tudo que há hoje é a palavra, então penso em morrer, não irei porque ainda há
um longo e sôfrego-feliz caminho a trilhar.
Vou
me matar de outra forma, da forma que não me faz tirar a vida, vou morrer no
papel enquanto restam as horas. Vou gastar todas as tintas e esgotar todas as
possibilidades do não dizer, do silencio, do calado. Vou gritar até desfalecer
no papel. Vou suicidar com a tinta, Lira!
E
mesmo que eu não esteja mais aqui, ainda na hora em que não reste outro olhar,
mesmo depois da morte, até essa hora será a hora da palavra.
Vem!
Zuri.
Camaçari, primavera 2010.
Lindamente triste. Morrer no papel é sempre a solução, talvez a única,dos poetas.
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